Nunca desista. Jamais
Foram oito tentativas frustradas até conseguir ingressar na faculdade, mas o esforço valeu a pena. Rafael R. Barbosa curte a aprovação no curso de medicina da UFPR, depois de um ano estudando em casa e outros três de cursinho. ''Nem imaginava que ia passar'', confessa o estudante, que passava, em média, oito horas por dia na frente das apostilas.
Ele não passou para a segunda fase da UEL por causa de uma única questão, e, com o resultado, havia até desistido de conferir seu desempenho na primeira fase da UFPR. Já a aprovação na segunda fase em Curitiba levou a um sentimento totalmente oposto. ''Foi uma alegria muito maior, porque foi muito mais batalhado. O sentimento de conquista é outro quando você sabe que almejou e lutou anos por isso'', avalia.
Para contrabalançar a dedicação aos estudos, Rafael trabalhava como professor de tênis. ''Comecei como boleiro aos 11 anos. Há cinco, dou aulas, e quase parei de trabalhar neste último ano, para me dedicar apenas aos estudos. Mas vi que era bom porque, além de não ficar só nos estudos, havia a satisfação de ver seu aluno progredindo. Era uma terapia para desestressar.'' O apoio dos pais foi fundamental para que Rafael não desistisse. ''Sem o apoio deles acho que não teria chegado até aqui'', revela.
Enquanto amargava reprovações, observar os colegas tornando-se universitários - em vez de motivo de inveja - era encarado como exemplo. ''É legal, porque mostra que é possível. Mas não é fácil ver colegas que você ajudou passando no vestibular, enquanto você é obrigado a enfrentar mais um ano de cursinho.''
Para quem terminou o colegial em escola estadual e não passou em fisioterapia na primeira tentativa, Rafael é um exemplo. Agora ele nem se preocupa com os pelo menos dez anos de estudo pela frente. Aos que vão precisar tentar mais uma vez, ele faz uma simples recomendação: ''Nunca desista. Jamais.'' (A.I.)





