Números preocupantes e dias nervosos deram o tom da economia
Agência Estado
A economia começou 1999 nervosa. A desvalorização do real frente ao dólar provocou insegurança interna e levou o Banco Central a vender dólares para impedir que a cotação ultrapassasse o teto da nova banda. Para evitar danos maiores, o governo liberou as operações de câmbio e permitiu que o real sofresse novas desvalorizações.
Em fevereiro, em pleno calor da crise de credibilidade do País, o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu trocar o presidente do BC, Francisco Lopes, que nem chegou a assumir o cargo formalmente, por Armínio Fraga Neto, ex-administrador do megainvestidor internacional George Soros. Para evitar a sangria de dinheiro do País, o governo fecha, então, novas metas do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que exigirão mais medidas de ajuste fiscal. Entre elas, a de manter a política de juros altos.
As más notícias se sucederam. O desempenho da indústria nacional em 98 foi o pior dos últimos sete anos, segundo a Confederação Nacional da Indústria. Saiu, também, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) nacional de 98: crescimento de apenas 0,15%.
Ao assumir a presidência do BC, Armínio Fraga Neto anunciou o aumento de 39% para 45% dos juros básicos da economia. O BC também decretou o fim da Taxa de Assistência do Banco Central (Tban) e da Taxa do Banco Central (TBC), extinguindo o sistema de bandas cambiais.
Em julho, as empresas Brahma e Antarctica agitaram o mercado com a notícia da megafusão das duas companhias. Tradicionais concorrentes, com 74% do mercado nacional, fecharam o maior negócio já realizado no Brasil, criando a AmBev. A telefonia também foi sacudida com a mudança do sistema de DDD. Os primeiros dias foram um caos na telefonia à distância em todo o País. O Mappin, maior rede de magazines do País, teve a falência decretada pela Justiça.
Mas em setembro, pelo menos uma boa novidade: a Petrobras anunciou a descoberta de um megacampo de petróleo na bacia geológica de Santos. Em outubro, o governo anunciou um pacote de 21 medidas para baixar os juros e estimular a retomada da economia, principalmente para reduzir os índices de desemprego que foram recorde histórico.





