A falta de professores sempre foi um problema para as escolas londrinenses. Principalmente, nos primeiros anos após a fundação da cidade, os diretores enfrentavam dificuldades para contratar bons profissionais para educar o crescente número de estudantes. Os professores até se davam ao luxo de recusar trabalho, apesar do ofício ser valorizado e o salário compatível com a responsabilidade na época. Um exemplo é a família da professora aposentada Maria Ignez Faria Fidelis, que estabeleceu-se na cidade em 1945 e viveu a evolução do setor da educação em Londrina.

A família veio de São Sebastião do Paraíso, Região Sul de Minas Gerais. O pai Antônio Faria Netto atuava como securitário e a mãe Albertina Pimenta era professora. Após nove dias morando no Franz Hotel, eles mudaram para uma casa de madeira alugada na Rua Paranaguá, entre Tupi e Sergipe. A mãe ficava em casa cuidando das crianças, Maria Ignez e dois irmãos mais novos: José Luiz e João Baptista.

Maria Ignez lembra, no entanto, que a mãe dela era procurada pelos diretores de escolas para voltar a ensinar. ''Como faltavam professores na época, ela foi bastante procurada. Mas minha mãe não voltou a trabalhar em escola'', conta. Segundo Maria Ignez, o magistério era uma profissão valorizada. ''O salário era bom, tanto que amigas vieram de Minas Gerais para trabalhar como professoras aqui em Londrina'', acrescenta.

Ao chegar de Minas Gerais, Maria Ignez ingressou no Colégio Londrinense, a escola particular mais conceituada da cidade, que pertencia ao médico Jonas de Faria Castro. Entre os professores do ginásio, estavam Vitorino Gonçalves Dias e Mário Takahashi. Já os irmãos José Luiz e João Baptista frequentavam a escola Hugo Simas. ''Papai sempre valorizou muito o estudo. Às vezes, não tínhamos nem roupa para vestir direito, mas não deixávamos de estudar'', orgulha-se.

Em 1953, veio a formatura e o início da carreira como educadora. Maria Ignez lecionou no primário do Colégio Estadual de Londrina, atual Vicente Rijo, que na época era abrigado no prédio do Colégio Marcelino Champagnat. ''Então, não era exigido curso superior para lecionar. Todo mundo dava aula'', recorda. Ela seguiu carreira na Escola Normal de Londrina, que foi transformada em 1964 em Instituto de Educação. Na instituição, também ocupou os cargos de secretária e diretora. Cinco anos depois, ingressou na faculdade de filosofia, curso que concluiu sem deixar de dar aulas de português até a aposentadoria em 1983.

Do tempo de estudante e de trabalho em escolas, Maria Ignez destaca a rigidez dos professores. ''Era mais rígido. Os professores eram muito bravos e chegava ao ponto de o aluno não ter nem como abrir a boca na sala de aula. E os alunos respeitavam mais. Já quando eu fui professora, já não era tão rígido'', compara. Apesar das dificuldades, a professora aposentada considera a atividade recompensadora. ''Em viagem de bodas de prata, encontrei uma aeromoça que foi minha aluna no avião, além de ter vários alunos que se formaram médicos, professores'', relata. F.R.F.

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