Número de doadores de órgãos ainda é pequeno
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sábado, 20 de agosto de 2005
Rodrigo Neppel<br> Reportagem Local 
O momento de decidir doar ou não órgãos do corpo humano não é dos mais fáceis para os familiares. Apesar da abordagem ser feita de forma criteriosa, muitas vezes fica a dúvida sobre qual caminho tomar. O interessado em se tornar doador não possui muitas opções, a não ser conversar com os parentes. ''Não existe documento algum atestando que uma pessoa autoriza ou não a retirada de órgãos. A melhor maneira é o testamento vivo. Ou seja, quem tem vontade deve declarar à família, pois a doação só acontece com a autorização dela'', explica a responsável técnica da Central Regional Norte de Transplantes, Ogle Beatriz Bacchi.
''Quando está se perdendo alguém, existe a vontade de cumprir os últimos desejos dele. Na medida em que o possível doador manifesta a vontade, as chances aumentam. Essa é uma boa conversa para o almoço de domingo'', completa ela.
Em Londrina, três hospitais credenciados fazem a captação de órgãos: Hospital Universitário, Santa Casa e Hospital Evangélico. Cada instituição possui uma coordenação que aborda os familiares. Essa equipe é composta por enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e médicos. ''Os médicos têm participação decisiva nesse momento, principalmente quando há morte encefálica. O fato do coração estar batendo dá a falsa impressão de que a pessoa ainda está viva. É ele quem pode explicar a situação do paciente.''
Ogle explica que no Brasil existe um protocolo rigoroso que define todas as etapas a serem seguidas para atestar a morte cerebral. A abordagem só é feita quando o diagnóstico está concluído. Após a parada cardíaca podem ser retirados os seguintes órgãos: córnea, ossos e coração para válvulas. O aproveitamento do coração, rins, fígado, pulmão e pâncreas é feito apenas de pacientes no estado de morte encefálica.
A responsável técnica informou que o número de doadores múltiplos está baixo em Londrina. No primeiro semestre deste ano foram quatro em todo Norte paranaense. ''O ideal é que tivéssemos pelo menos um por mês.'' Do total de óbitos em 2004, na região, 12% eram possíveis doadores dos quais apenas 30% se tornaram doadores efetivos. Ogle afirma que essas taxas fazem com que não se possa perder nenhuma oportunidade.
A captação de órgãos é um procedimento cirúrgico que requer todo cuidado. ''Ao contrário do que muitos acreditam, a pessoa não é mutilada'', explica a responsável técnica.
Ela diz garantir ser remota a possibilidade de haver comércio de órgãos. ''Em média 60 pessoas participam do processo desde o diagnóstico da morte até o transplante em si. É muito difícil conseguir corromper todo mundo.'' As listas de receptores foram criadas justamente para dar seriedade. ''A única forma de alguém furar a fila é em caso de emergência como por exemplo a perfuração da córnea'', completa.


