NOVOS RUMOS - Clubes se reinventam na busca pela sobrevivência
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sábado, 19 de julho de 2008
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
Houve um tempo em que entre as perguntas básicas para se conhecer alguém estava a seguinte: ''de qual clube você é sócio?'' Isso porque toda família distinta frequentava uma associação e, dependendo de qual fosse, era possível tirar conclusões sobre nível social e financeiro, grupo de amigos em comum etc. Os locais eram bem disputados, suas piscinas ficavam lotadas e seus bailes considerados os grandes eventos da cidade.
Aqueles tempos áureos não voltam mais. Atualmente a carta de sócios da grande maioria dos clubes é bem menor do que há dez anos atrás e as turmas não se encontram mais à beira das piscinas cheias de gente e de glamour. ''Os problemas começaram por volta de 1992, com a crise econômica que empobreceu a classe média da época. As pessoas precisavam cortar custos e vender as cotas era a primeira opção'', comenta o presidente do Clube Canadá, José Milton de Souza.
Outro motivo para o abandono dos sócios foi uma mudança de comportamento da população. ''Os grandes frequentadores eram os jovens e hoje eles têm outras opções, como shopping, boate. O hábito de encontrar a turma no clube diminuiu entre esssa faixa etária'', diz o presidente do Country Clube, Luciano Bucharles.
''A maioria das pessoas hoje mora em condomínios de casas ou apartamentos que possuem uma infra-estrutura completa de lazer. Isso tudo é concorrência para os clubes. As famílias têm piscina, quadras esportivas, sauna e salão de festas em casa. Essa migração tirou o antigo hábito. Desde 1998, caímos de 5 mil sócios para 2,3 mil'', afirma o presidente do Grêmio Londrinense, Ederson Camata.
O Clube Canadá também perdeu uma parte de seus associados. Segundo o presidente, a queda foi de cerca de 40% na carta de sócios. ''No número de funcionários passamos de 60 para 22 pessoas. Fizemos isso para cortar custos, para nos adaptar à nova realidade'', diz.
O problema ainda continua rondando a vida dos clubes, uma vez que os sócios que se foram não retornaram depois que a economia melhorou. ''O público alvo dos clubes antigamente eram famílias e jovens. Hoje as crianças e adolescentes preferem computador e TV. Eles não querem mais vir ao clube usar a piscina ou encontrar os amigos'', afirma José Milton.
A prática de esportes, tão incentivada por médicos, tem sido nos últimos anos a força maior do setor. Para o gerente geral da Associação Recreativa Esportiva Londrinense (Arel), Geraldo Norcia Banhos, esse foi um dos grandes motivos para o clube não ter enfrentado a crise da década de 90.
''Sempre investimos na área. Temos 15 modalidades esportivas, desde esportes coletivos como futebol e basquete, até yoga, natação e musculação, todas com professores. A Arel se transformou em uma academia gigante, o que é muito interessante para os sócios, uma vez que existem opções para toda a família'', explica.
''Os nossos sócios percebem que é mais econômico pagar a mensalidade do clube do que a de uma academia para os pais e os filhos. Como temos mais de 20 opções de esporte, esse é um atrativo muito forte. Também temos os eventos que o clube subsidia, como jantar do Dia das Mães e Noite Árabe. Os associados pagam bem barato pela qualidade da comida e da estrutura da festa. Hoje acho fundamental a pessoa sentir que está ganhando em ser sócio do clube'', completa o presidente do Country, Luciano Bucharles.
No Canadá, as quadras de tênis e a academia também são as grandes atrações. ''Dependendo do horário, a sala de musculação fica lotada e todas as quadras ocupadas. O futebol ainda é um bom atrativo e continuamos fazendo bailes e festas temáticas. Mas a maioria dos frequentadores é o pessoal mais velho e os homens. Eles chegam depois do trabalho, jogam alguma coisa, fazem uma sauna, conversam com os amigos e vão embora. Aquela imagem da família toda vindo para o clube acabou por aqui'', afirma o presidente José Milton.
Fim das cotas
Outra alternativa encontrada para manter as contas em dia e a qualidade dos serviços foi abolir o alto custo para se tornar sócio. No Canadá não existe mais a compra de cotas, basta a pessoa se comprometer a pagar a mensalidade. No Grêmio, a direção criou um sistema de cotas coletivas e formou convênios com empresas. ''É preciso criatividade. Com essas iniciativas conseguimos aumentar o número de sócios'', diz o presidente Éderson Camata.
Mas alguns continuam com suas cartas completas. Segundo o presidente do Country, o clube trabalha atualmente com a capacidade máxima. ''Não abrimos mais vagas para não atrapalhar a qualidade dos nossos serviços'', garante. ''Aqui temos até fila de espera. A variedade de opções é um dos motivos para isso'', completa Geraldo, gerente da Arel.
Para o futuro, cada dirigente tem uma expectativa diferente. Alguns clubes acabarão se fundindo para acabar com a capacidade ociosa de suas instalações, acredita o presidente do Canadá. ''Temos oito clubes em Londrina e isso é muito'', explica.
''Acho que o futuro é investir em esporte e outras vantagens para os sócios, como descontos em lojas e outros estabelecimentos. Já temos isso em algumas áreas e pretendemos ampliar essa idéia, para que nossos sócios paguem menos em salões de beleza, escolas'', diz Bucharles, presidente do Country.
''O segredo tem sido oferecer atividades para as mães, como hidroginástica e sauna feminina. Elas vêm e trazem os filhos, que se tornam frequentadores do clube'', completa Camata, do Grêmio.


