O Jardim Padovani, na Zona Norte de Londrina, é palco de uma experiência inédita: moradias construídas com tijolos ecológicos, fabricados a partir dos resíduos da construção civil (veja infográfico). A técnica foi desenvolvida por duas empresas particulares da cidade.
  O primeiro passo é o reprocessamento do resíduo da construção civil para produção de agregados. Essa fase é realizada na Central de Tratamento de Resíduos (CTR) da Kurica Seleta Ambiental. No local, tudo é triturado e transformado em areia e pedras, próprias para utilização em novas construções. Esse processo garante um material ambientalmente correto, de boa qualidade, a baixo custo e na granulometria
adequada para produção de outros
insumos.
  O passo seguinte ocorre na Eco Empreendimentos, empresa que se instalou em Londrina no ano passado e passou a utilizar a ‘‘areia ecológica’’ para produção de tijolos. Ensaios de ruptura de bloco realizados pela Politécnica Engenharia, aprovaram o tijolo em testes de resistência mecânica (índice médio de 5,9 mpa, quase o triplo do tijolo cerâmico). A absorção de umidade alcançou 7% – o máximo exigido por lei é de 20%.
  ‘‘Antes de comercializar, precisávamos mostrar que o produto era viável’’, diz Matheus Araújo, sócio da Eco. Resultado: duas casas já estão prontas, seis estão praticamente concluídas e oito foram iniciadas há poucas semanas. ‘‘O objetivo é construir dez casas/mês em Londrina e região a curto prazo’’, diz.
  O milheiro de um tijolo ecológico custa quase o dobro do tijolo cerâmico (aproximadamente R$ 650 e R$ 350, respectivamente), mas a construção de uma casa ecológica fica entre 30% e 40% mais barata que a outra. Como explicar esse paradoxo, se a quantidade de tijolos utilizada é praticamente a mesma?
  A explicação está na redução dos materiais utilizados – menos ferro, cimento, argamassa de revestimento e quase nenhuma caixaria, apenas o suficiente para escorar a laje. E, sobretudo, um tempo menor de construção: três meses, contra seis a nove meses da casa convencional.
  Uma casa de 70 metros quadrados, afirma o outro sócio Cláudio Majowski, chega a utilizar cerca de 47 toneladas de material reciclado – brita e pedrisco, além da areia nos tijolos. ‘‘Este é o verdadeiro tijolo ecológico. Produção em série, como estamos fazendo, acreditamos ser um caso único no mundo’’. (Reportagem Local)

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