Novo Papa tem grandes desafios
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terça-feira, 19 de abril de 2005
Richard Ingham<br>France Presse 
Paris - Dos muitos assuntos espinhosos que terão de ser tratados pelo Papa Bento XVI, talvez o maior deles é a bioética.
O novo Pontífice estará diante de um clamor, de dentro e de fora da Igreja, por um afrouxamento das posições sobre o controle de fertilidade, uso de camisinhas contra o HIV e pesquisa com células-tronco.
No entanto, Bento XVI, o cardeal alemão Joseph Ratzinger, tem a reputação de ser um forte defensor da doutrina conservadora da Igreja Católica.
''Há um hiato de hipocrisia significante dentro da Igreja'', comentou Arthur Caplan, professor do Centro de Bioética da Universidade da Pensilvânia.
O ex-Papa João Paulo II é acusado por seus mais fortes críticos de encorajar o nascimento de bebês não desejados, de interromper pesquisa de curas para doenças, de fomentar expansão da aids, ao banir preservativos e estigmatizar a homossexualidade como pecado.
Em outubro de 2003, o cardeal Alfonso Lopez Trujillo, presidente do Conselho Pontifício para a Família, publicou um artigo em que dizia que o vírus da aids poderia passar pelo látex dos preservativos.
Pode haver ''milhões de preservativos que vazam,'' disse Trujillo, acrescentando que, aqueles que usam camisinha, estão jogando ''roleta russa''.
Cientistas protestaram e afirmaram que as declarações não têm qualquer evidência, mas Trujillo nunca voltou atrás em seu artigo, nem foi oficialmente desautorizado pelo Vaticano.
Muitos católicos aprovam as posições duras da Igreja sobre o aborto e pesquisa de células-tronco.
Como mostrou recentemente o caso de Terri Schiavo, a política da Igreja é louvada como moral e clara. Além disso, mesmo cientistas e médicos, como a ampla maioria das pessoas, compartilham da aversão do Vaticano à clonagem de humanos por causas reprodutivas.
Àqueles que dizem que suas posições impedem a pesquisa em bioética, a Igreja rebate que está agindo como guardiã da decência e procurando acrescentar uma dimensão moral à descoberta científica.
Como possibilidade de mudança doutrinária, a maior esperança para reformadores repousa no uso de preservativos contra o HIV. Um primeiro passo, bem cauteloso, foi tomado por igrejas africanas, que disseram que preservativos podem ser permitidos - dentro do casamento - se um dos parceiros estiver infectado, a fim de prevenir o parceiro.
Franca Tranza, porta-voz da British Medical Association (BMA), que reúne 120.000 médicos britânicos, disse que há ''esperança de que o novo Papa adote posições mais liberais'' em alguns assuntos.
''Ficaríamos surpresos se tomar medidas liberais na questão do aborto, mas esperamos que faça isso a respeito dos preservativos'', disse ela. ''Encorajar pessoas a não usar preservativos, em países em que os índices de HIV aumentam, é, do nosso ponto de vista, irresponsável''.


