Novo padrão para as bancas de jornais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br>Equipe da Folha 
Depois de passar por problemas como falta de espaço físico, ataques de pichadores e até uma invasão de ratos, a notícia sobre um decreto que padroniza as bancas de jornais e revistas em Curitiba foi recebida como uma tábua de salvação para a jornaleira Noêmia Trevisan, proprietária da banca do Parque São Lourenço, um modelo feito de metal, à moda antiga.
Segundo o decreto, assinado pelo prefeito Beto Richa no último dia 12, as bancas de jornais e revistas instaladas nas ruas e avenidas de Curitiba serão substituídas por um novo modelo, projetado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), de acordo com o padrão do mobiliário urbano da capital.
As novas bancas seriam pagas por uma empresa, em troca de publicidade, que ficaria visível na área externa. Não vejo problemas em veicular propagandas. Minha necessidade é de ter uma banca com mais espaço para melhor atender aos visitantes do Parque São Lourenço, que é um ponto privilegiado da cidade. Estou pedindo ajuda para a Prefeitura há muito tempo, diz Noêmia, que ainda é nova no ramo. Comprei esta banca no ano passado. Ela estava falida. Eu e meu marido fizemos o máximo de melhorias possíveis dentro do espaço que temos. Nestas condições, ela nos serve como renda complementar.
Em situação diferente, muitos jornaleiros trabalham no ofício há várias décadas e têm a banca como fonte principal, senão única, de renda. É o caso de Leonor dos Santos Zem, mais conhecida como Lola, a mais antiga jornaleira em atividade na capital. Eu me criei em banca. Comecei aos 13 anos, ajudando meus pais com os jornais. Estou neste trabalho há 60 anos. Tudo o que eu tenho em casa, consegui através da banca. Paguei o ensino dos meus dois filhos, que estudaram nos melhores colégios da cidade, e hoje são formados em engenharia civil, comenta.
Lola já trabalhou em bancas feitas com os mais diferentes materiais: lata, acrílico e vidro. Há cinco anos ela trabalha em uma feita de chapa galvanizada. Quanto ao recente projeto de padronização, que não é obrigatório, ela disse que ainda não pretende aderir, pois sua banca ainda é nova. Vou esperar para ver o que acontece.
O também veterano Dorival Carneiro é proprietário da banca São Francisco há 38 anos. Inicialmente localizada na Praça Tiradentes, nos últimos 10 anos ela está funcionando na Praça Carlos Gomes. Minha banca foi a primeira a adotar o modelo com as laterais de vidro, em 1998. Ela funcionou como um protótipo, que dois anos depois foi aprovado como padrão. Antes as bancas tinham laterais de acrílico, lembra.
Membro do Sindicato dos Jornaleiros do Paraná (Sinjor-PR), no cargo de diretor financeiro, Carneiro está contente com a a nova resolução. Foi a melhor lei aprovada até hoje, pois beneficia diretamente a categoria. O jornaleiro vai ter a possibilidade de trocar de banca, inclusive por uma maior, e realocá-la caso queira.
O custo de construção e instalação de uma banca varia entre R$ 40 mil e R$ 50 mil. De acordo com o novo decreto, haverá uma parceria entre a prefeitura e empresas interessadas, que instalariam novas bancas em troca do direito de usar o espaço para publicidade durante um período necessário para pagar o investimento (a previsão é de 8 a 10 anos).
Depois disso, o dono passa a ter uma renda mensal pela cessão do espaço publicitário na área externa, se assim preferir. A negociação não é individual, mas em bloco. A inteção é de fechar um pacote com os primeiros interessados, mas o critério de escolha do ponto é da empresa interessada, acrescenta Carneiro.


