São Paulo - Desbravar horizontes não é um privilégio das crianças. Para o empresário Wilson Corrêa de Lima, 43 anos, a atuação como ''pãe'' exige do homem tomar atitudes inimagináveis. ''Você acaba descobrindo coisas sobre si e o quanto pode ser forte'', declara em alusão a doenças dos filhos, quando se viu obrigado a ir a um hospital e, em outro momento, a pôr a criança na sua cama.
Lima reside em Campinas (a 90 quilômetros de São Paulo), está separado há cerca de três anos e, em consenso com a ex-esposa, possui a guarda dos filhos Rafael, 16, Gabriel, 14, e Thales, 11. Eles vivem no Parque Jambeiro, um bairro que se formou com a transformação de uma fazenda e se localiza a dez quilômetros do centro da cidade.
O sossego do lugar faz contraponto aos malabarismos do pai. Os meninos estudam em escolas diferentes e ele não abre mão de levá-los e trazê-los. À labuta diária, somem-se idas a supermercados. ''Com a separação, aprendi a cozinhar. Até um livro da Dona Benta comprei e hoje escolho melhor os produtos que vão compor o nosso cardápio.''
Durante a entrevista, o empresário disse que o filho Thales chegou em casa com um cachorrinho filhote, deu leite, vermífugo, além de preparar uma cama para o animal. ''Se eu fosse o pai convencional de outras épocas, jamais permitiria que o cãozinho ficasse, pois vai ser um berreiro na madrugada e é preciso trabalhar amanhã. Mas, quando se é pãe, tem o lado afetivo, então que ele curta o bichinho.''
Seja qual for a motivação, a maior participação paterna na vida da criança é louvável. Os especialistas alertam, todavia, para que se evitem exageros e perda de limites. O psiquiatra Cuschnir adverte que é comum o pai educar os filhos para serem melhores do que ele. ''É mais fácil agir fora do que promover uma transformação interna'', observa.
Para a psicanalista Dorli, o pai deve operar com alteridade e autoridade concomitantes. ''Nossa sociedade anda tão permissiva, com excessos de presentes e festas, que é preciso demarcar limites'', avisa, enfatizando que o olhar do pai afetuoso ou de reprovação é o maior nutriente para a formação do filho. A especialista cita ainda que, em tempos de convergência de papéis, cabe uma adaptação da premissa de Simone De Beauvoir, de que a mulher não nasce mulher, torna-se mulher. ''Ninguém nasce pronto, a construção do ser pai é o que é o mais difícil.''(A.E.)

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