Cambará – Manoel Carlos Monteiro trabalha há 30 anos como empreiteiro de trabalhadores rurais. Em 2010, ele teve 530 cortadores de cana registrados em sua empresa, que terceiriza mão de obra para as lavouras canavieiras de Cambará e região.
Para o ano que vem, entretanto, ele já prevê demissões. ‘‘Acredito que, pelo menos, 1,5 mil cortadores ficarão sem emprego. No próximo ano terei 400 trabalhadores registrados e, em 2012, uns 200. Pelo o que tudo indica, 80% da produção canavieira da região será mecanizada’’, diz.
Indagado sobre o que esses trabalhadores irão fazer, ele é enfático ao dizer que não vê alternativa. ‘‘O que move a região são as plantações de cana, soja, trigo e milho, sendo que essas três últimas culturas já foram mecanizadas há algum tempo. Acredito que um novo êxodo rural está prestes a acontecer, a exemplo do que aconteceu com o fim das lavouras de café.’’
E se a mecanização está próxima, os usineiros dizem que ela será adiantada devido à falta de mão de obra. Justificativa que os cortadores não compartilham.
‘‘Estão tirando o nosso ganha pão. A máquina corta a cana que a gente cortava. Com isso, o povo disputa lugar para trabalhar. Mão de obra está é sobrando’’, lamenta-se Vanira Luisa da Silva, 43 anos, lembrando que o estudo que tem não é suficiente para que faça um curso de capacitação e parta para outra área.
O caso de Vanira confunde-se com o de Antônia Aparecida da Cruz Alves, de 47 anos. ‘‘Nosso caso só muda de nome e endereço. Sou casada, tenho dois filhos e a única coisa que me resta é acreditar em Deus. Como tenho muito pouco estudo e sou diabética, tudo indica que essa será a última safra que cortei cana e a última vez que plantei. As máquinas que plantam já estão chegando’’, relata angustiada, acrescentando que este ano o plantio já foi diferente. ‘‘As curvas foram rebaixadas para as máquinas colherem.’’ (K.A.)

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