Maringá é uma das poucas cidades brasileiras com quase 18 alqueires desocupados em plena área central. O espaço, hoje vazio, era utilizado como pátio de manobras da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Como impedia a continuidade da urbanização planejada para o eixo central da cidade o terreno passou a ser tema de debates.
A primeira idéia de ocupação urbanística foi esboçada na década de 70 pelo então prefeito Sílvio Magalhães Barros, que começou a discutir com a Rede Ferroviária a possibilidade de mudança do pátio. Três décadas depois, o município ainda discute o destino do Novo Centro, denominação dada ao projeto de ocupação da área desde a retirada do pátio de manobras dos trens em 1991.
Para o presidente da Urbamar, empresa pública responsável pela urbanização do Novo Centro, Norberto de Miranda Silva, a situação hoje é diferente porque pela primeira vez o projeto caminha para um plano urbanístico definitivo. Na semana passada, a Urbamar e o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem) criaram a Comissão Novo Centro/Aeroporto. Os integrantes desta comissão conheceram os detalhes e o histórico do projeto para discutir os novos conceitos urbanísticos, paisagísticos e de tráfego exigidos para o Novo Centro pela atual administração.
Silva lembra que o trabalho de definição do projeto é fundamental porque o Novo Centro vai permitir, por exemplo, a abertura de uma avenida que poderá se transformar na única via central da cidade no sentido Leste e Oeste. ‘‘São concepções arrojadas, inclusive de tráfego, já que hoje a Brasil, avenida no mesmo sentido, não pode oferecer as mesmas condições’’, explica.
A via deve surgir na superfície do mesmo caminho que hoje percorre a linha do trem. Parte dessa linha já foi rebaixada e passa por um túnel inaugurado no final de 1999. Objetivo atual da Urbamar é conquistar recursos para a construção de viadutos e rebaixamento de outros trechos até completar todo o sentido da linha férrea.
As concepções arquitetônicas que devem ser definidas para o Novo Centro também são diferentes e arrojadas. Conforme Silva, os edifícios terão que ter marquises com recuo de três metros, além do espaço reservado para a calçada. Desta forma, as calçadas se transformarão em galerias e as lojas instaladas no térreo dos edifícios em shoppings abertos. ‘‘Como a própria presença do túnel não permite a arborização esta é uma boa alternativa de passeio público para o clima quente da cidade’’, diz.
Silva lembra que o projeto do Novo Centro já consumiu mais de R$ 60 milhões e foi prejudicado por alguns atos administrativos. Um deles ocorreu na segunda administração do ex-prefeito Said Ferreira, quando a Câmara de Vereadores aprovou uma lei transformando o contrato de permuta entre o município e a Rede Ferroviária em um contrato de obrigação financeira. Por causa disso, a Urbamar enfrenta uma ação judicial que prejudica o desenvolvimento do projeto. ‘‘Foi um erro grave, porque a permuta que a prefeitura fez para ocupar o espaço do pátio de manobras foi altamente vantajosa para a Rede mas, infelizmente, hoje o município sofre pela irresponsabilidade de alguns’’, lamenta Silva.

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