Novo ano, nova escola, novos amigos
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de janeiro de 2017
Tatiane Salvatico<br>Especial para a FOLHA 
Um novo ano escolar pode significar um período cheio de novidades e adaptações. Nova escola, metodologia, professores e amigos. "A mudança, em um primeiro momento, pode gerar ansiedade e insegurança no aluno. Mas é preciso lembrar que mudanças fazem parte da vida escolar e, principalmente, do curso natural da vida", lembra a psicopedagoga Luzimar Mazetto.
Ela afirma que, de forma geral, as crianças pequenas tendem a ter mais dificuldade na adaptação às mudanças escolares, já que este aluno é mais propensa a ter uma ligação mais próxima com o professor. "Nesta fase de adaptação, é normal que a criança chore, não queira ir para escola e invente dores inexistentes como de dor de cabeça ou barriga." Por isso, Luzimar afirma que a família deve ajudar nesse processo de assimilação. "É preciso ter paciência, conversar, explicar que a mudança é necessária e também positiva que agora essa criança vai ganhar coisas novas."
Para facilitar o processo, algumas escolas adotam métodos para integrar o aluno antes mesmo dele começar a frequentar o novo ambiente.
Desde os novos alunos do Nível Um até os do 5º ano do Ensino Fundamental do Colégio Universitário recebem a visita dos professores em casa, antes do início das aulas. "Fazemos isso para aproximar a criança da equipe pedagógica, que é nova para ela, e assim criar vínculos e confiança. Isso é importante para ela, mas é, também, importante para a família assimilar o processo", explica a diretora educacional, Raquel Calil Ruy. Ela afirma que nesta fase a colaboração da família é fundamental.
"Conversamos bastante com os pais sobre essa questão de transmitir confiança para criança desde o início do processo de mudança. Deixar o filho na escola é deixar mesmo. A criança percebe quando os pais têm segurança no que fazem. Uma dica é sempre lembrar que aquilo é importante para o processo de formação humana da criança."
IMPACTO
Se os pequenos já sentem o impacto de um novo ambiente escolar, com os adolescentes não é diferente. "O adolescente pode resistir de uma forma menos clara. Mas a família deve estar atenta às mudanças de comportamento, à falta de verbalização do quê o incomoda. É preciso, novamente, conversar para que este aluno não torne essa novidade um problema interno", pontua a psicopedagoga.
Para evitar ou minimizar o impacto da mudança nos adolescentes, os colégios podem adotar programas de acolhimento para os novos alunos. No colégio, a partir do 6º ano, novos estudantes têm aulas que utilizam dinâmicas em grupo, trabalhos em dupla e outras técnicas pedagógicas que ajudam na integração do grupo. "Também incentivamos os que já são nossos alunos a ajudarem quem acabou de chegar. Orientar sobre a localização do banheiro, da cantina ou ajudar em um trabalho é um bom jeito de começar a criar laços entre eles", diz a diretora educacional.
Raquel lembra que a adaptação de cada aluno se dá de uma forma, conforme suas próprias características. No entanto, ela diz que os pais podem ficar tranquilos, já que a fase passa rápido. "Em geral, em duas ou três semanas esse novo aluno já encontrou algumas referências para ele dentro do novo ambiente escolar. Já a socialização com restante do grupo ocorre gradualmente e de forma natural."
A psicopedagoga concorda. "É uma característica do adolescente buscar grupos semelhantes a ele mesmo. Os mais extrovertidos tendem a ter facilidade para se aproximar do grupo dos extrovertidos, assim como os introvertidos se juntam àqueles mais tímidos e quietos, como ele."
Ela lembra que o período escolar é uma importante fase da vida, em que o caráter, os vínculos sociais e afetivos começam a ser formados e que oferecer uma mudança a uma criança pode ser, inclusive, a chance de incentivá-la em sua sociabilidade, uma habilidade importante para a vida toda.


