Novidade não agrada a todos
Nem todos comemoraram a novidade. Maurício Puchalski, dono de uma banca na Praça Osório, faz parte deste grupo. ''O que eu preciso é de dinheiro para fazer a banca nova. Não concordo com um projeto em que alguém vai fazê-la por mim. Eu prefiro ter controle total sobre o meu negócio.''
Em relação à publicidade nas bancas, Puchalski cita que a prática já é antiga. Em seu estabelecimento estão estampadas várias marcas de produtos à venda. São adesivos de operadoras de celular grudados no vidro lateral, o freezer com a marca dos sorvetes e os displays para vendas de cigarros.
''Apenas a distribuidora de cigarros me paga para deixar o spot ligado'', lamenta. Mas ele tem sua propaganda própria. Do lado de fora está pendurado um banner em que o comerciante promove seu empreendimento, com os dizeres: ''Pregão da bolsa, pista de testes e agência de turismo. Mas pode chamar de banca de revistas''.
Assim como muitos de seus colegas, Puchalski iniciou-se no ofício por influência da família. Está há 30 anos à frente da banca, que antes pertencia a seu pai. Está em um ponto de grande fluxo de pedestres, por ser próximo à Boca Maldita.
Ele lembra que a maior movimentação de clientes vista desde que assumiu o ponto foi no dia seguinte à divulgação do Plano Collor. Segundo ele, cerca de 50 pessoas estavam à procura de um jornal de circulação nacional para se informar sobre o novo plano econômico, mas o jornal ainda não havia chegado.
''Tinha tanta gente aqui dentro, que fui obrigado a fechar a banca e deixá-los formando fila do lado de fora, pois não dava pra trabalhar com aquela multidão. Só reabri quando o jornal chegou e comecei a vendê-lo. Teve até um senhor que entrou na fila para comprar 10 centavos em balas, sem saber que era uma fila para comprar jornal'', lembra. (R.J.D.)





