Novembro e dezembro, meses das noivas
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Que maio, que nada! Os meses das noivas, pelo menos em Curitiba, são novembro e dezembro. De acordo com o presidente em exercício da Associação dos Notários e Registradores do Paraná (Anoreg-PR), Álvaro de Quadros Neto, dados da Vara de Registros Públicos da capital mostram que nos dois últimos meses do ano passado o número de casamentos registrados na capital foi bastante superior à média dos outros meses.
''Em novembro e dezembro de 2006, a média foi de 1.170 casamentos por mês, contra 720 nos outros meses do ano'', diz Quadros. O presidente afirma que essa tendência vem se consolidando ano a ano e deve se confirmar em 2007. ''Isso ocorre por diversas razões: o pagamento do 13º salário, que proporciona mais dinheiro para programar festas e viagens de lua-de-mel, o clima mais agradável com a chegada do verão e a proximidade com o período de final e começo de ano, quando muita gente entra em férias'', explica Quadros.
O presidente da Anoreg-PR aponta que os custos de cartório para quem vai se casar variam (se a pessoa já foi casada antes e o regime de bens são fatores que influenciam), mas que as despesas básicas para duas pessoas que nunca casaram antes e que optam pelo regime de comunhão parcial de bens somam R$ 170. ''Os custos do cartório provavelmente são os menores comparados com outras despesas: festa, jantar, lua-de-mel'', diz Quadros.
Os estabelecimentos que prestam serviços para festas de casamento comemoram a chegada dos últimos meses do ano. Akiko Tabushi Yamaguti, proprietária da Kamy Noivas, empresa que providencia trajes, maquiagem e outros serviços, afirma que já a partir de setembro o movimento aumenta. ''A diferença é grande, aumenta de 40% a 50%. Antes, o foco da empresa recaía sobre os primeiros meses do ano. Agora, as coisas estão mudando. Para outubro, novembro e dezembro do ano que vem já tenho muito serviço marcado'', afirma a empresária.
Saionara Silva, gerente da central de eventos da ABS-V, que faz fotos e vídeos de casamentos, relata que para este mês a empresa está com 35 casamentos agendados em Curitiba. Em novembro, foram 31, e em outubro, 28. Para se ter uma comparação, nos meses de junho e julho a média foi de 20 eventos por mês.
A gerente salienta que o final de ano facilita a vida dos noivos. ''Se os noivos pegam férias, fica mais fácil para viajar. Além disso, é começo da alta temporada, com calor. Muita gente aproveita que os parentes vêm para as festas de Natal e Ano Novo e marca o casamento para uma data próxima'', explica Saionara.
Ela acredita que neste final de ano o número total de casamentos em Curitiba deve ser ainda maior na comparação com o mesmo período em outros anos. ''A partir do ano que vem, mudam as normas para casamentos em Curitiba, que deverão ser mais simples. Então eu percebo que muita gente antecipou a cerimônia'', diz Saionara.
Fugindo do frio
''Maio é considerado o mês das noivas porque na Europa é primavera, época em que as pessoas preferem casar. Os brasileiros simplesmente copiaram, mas na prática perceberam que é melhor casar nos meses quentes, principalmente no Sul. Em maio, com o começo do frio, há dificuldades para acertar o traje, os salões não são aquecidos e muitas festas terminam cedo porque as pessoas se incomodam com o frio. Por isso muita gente está preferindo casar no final do ano'', afirma Adriane Krukoski, proprietária da Freezer Point, empresa que trabalha com listas de chá de panela.
A empresária diz que no seu estabelecimento o movimento cresce em setembro e outubro. ''Geralmente, as pessoas preferem fazer o chá de panela alguns meses antes de casar. Então, as listas que fazemos em setembro e outubro estão relacionadas a casamentos que serão realizados em novembro e dezembro. Em outubro deste ano, fizemos 41 listas'', conta Adriane, que explica que em meses ''normais'' a média é de 30 listas.
A estudante Vanessa Cristine Iubel, de 23 anos, está com casamento marcado para o próximo sábado, dia 15. ''Marquei para dezembro porque meu noivo é jogador de futebol profissional e ele só poderia nesta época, já que é praticamente o único período de férias que ele tem. No começo de janeiro, ele já tem que se reapresentar para o início da temporada'', afirma a jovem.
Vanessa diz que teve dificuldades para marcar uma data em alguma igreja da capital. ''Eu marquei a igreja no mês de março. Em muitos lugares que eu procurava, perguntavam se seria para dezembro do ano que vem, porque já estava tudo marcado para este ano. Por sorte, consegui marcar numa igreja. Em algumas igrejas tradicionais, é preciso marcar a data com dois anos de antecedência'', explica a estudante.
Graziella Matra Minutillo, proprietária da Matra (empresa que organiza cerimoniais, entre outros eventos), foi a única voz ''dissonante'' entre as empresárias entrevistadas pela FOLHA. Ela diz que, pelo menos na sua empresa, o número de casamentos não tem um grande aumento no fim do ano. ''Casamento tem o ano inteiro. Para dezembro, estamos com 18 marcados, mas em setembro, por exemplo, estávamos com 15, e em novembro, com 10'', relata a empresária.


