Novelas influenciam nomes dos filhos
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domingo, 03 de dezembro de 2006
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
Escolher o nome de um filho não é tarefa das mais fáceis. O nome precisa combinar com a pessoa, ''parecer'' com ela. E quanto mais simples melhor. Livros e revistas trazem aos montes, sugestões para os pais que ainda estão indecisos, com significados e grafia correta. Mas às vezes, a quantidade de opções, acaba confundindo ainda mais e dificultando a escolha.
A mídia, de forma geral, acaba influenciando na escolha do nome. As idéias, geralmente, são tiradas de personagens de filmes, novelas ou mesmo de jogadores de futebol famosos. Ronaldo, Leonardo e Leandro são nomes escolhidos com frequência para homenagear os craques do futebol.
Nomes de personagens de novelas, por exemplo, também estão sempre em alta, e variam de acordo com a época. Jocasta, personagem interpretada por Vera Fischer, foi sucesso há alguns anos e influenciou a escolha de muitos pais. A personagem de Malu Mader, Maria Clara, da novela Celebridade, também influenciou várias escolhas. Assim, como hoje, Clara e Francisco, são nomes que começam a entrar na lista dos pais.
Também são cotados nomes como Olívia, Raíssa, Fernanda, Mel e tantos outros. Até os nomes de filhos de artistas ajudam pais a definir os nomes para as crianças recén-nascidas. Só para citar alguns: Joaquim, Enzo, Bento, Breno e Sofia figuram sempre nos registros dos cartórios.
Mas há preferência pelos nomes simples. Maria, João, Luis, Pedro, Antônio, Antônia, que nas décadas de 40 e 50 eram muito comuns e depois foram esquecidos, estão cada vez mais na ''moda''. Nomes mais complicados, inclusive os compostos, já não são tão comuns como antes. Mas prevalece o costume de colocar letras ''a mais'', incrementando a grafia, que nem sempre é a mais correta.
Titular de cartório de registro civil há 13 anos em Londrina, Eduardo Pires, de vez em quando se depara com situações em que a escolha do nome sempre acaba dando um certo ''trabalho''. ''Alguns pais querem colocar nomes com grafia errada. Inventam na escrita para enfeitar os nomes. Não podemos autorizar isso. Respeitamos as regras da língua portuguesa e orientamos os pais, assim que chegam ao cartório''.
Um levantamento feito no cartório identificou que a cada dez nomes, pelo menos um leva as letras ll, nn, y, k, w ou h, onde não existe necessidade nenhuma. A duplicidade das letras e as consoantes incomuns, estão presentes, principalmente nos nomes compostos e ''americanizados'', como Julie Kêmily, Evely Kawany, Gabrielly Vitória, Nathaly Natália, Jhonas Robert, Keven Matheus, Erick David, Lucas Hendrew, Izabelly, Andrielly, Danielly, Rayssa, Jhessyca e Jeffer Miguel.
Um dos mais comuns é Michael, que já foi registrado da maneira como é pronunciado: Maikel. ''Tentamos orientar os pais, dizemos que a grafia está errada, mas se eles insistem muito, temos que atender a vontade deles, desde que o nome não coloque a criança em situação constrangedora''.
Segundo o titular do cartório, que faz em média 300 registros mensais, entre os nomes compostos hoje, a preferência está bem mais simplificada. Pedro Henrique, João Pedro e João Paulo são os mais comuns.


