Nove homens e um destino
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quarta-feira, 03 de outubro de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Na manhã desta sexta-feira, terá início uma aventura sobre rodas. Nove apaixonados pelo Galaxie aquele carrão da Ford símbolo de conforto e sofisticação entre os anos 60 e 80 sairão de Curitiba às 7 horas em direção à cidade argentina de Ushuaia, capital da província de Tierra Del Fuego, também, conhecida como cidade do fim do mundo, pelo fato de ser a mais austral do planeta, localizada no extremo sul da América, a apenas mil quilômetros da Península Antártica.
Segundo o empresário Álvaro Gonçalves Filho, um dos idealizadores da empreitada, a escolha do destino se deve ao caráter simbólico do local, que sugere desafios extremos. Foi em um churrasco, realizado na volta de uma viagem a Novo Hamburgo (RS), durante o aniversário do grupo Amigos do Galaxie, em junho de 2006, que surgiu a idéia de levar os carrões até paragens tão distantes. Essa viagem sempre foi um sonho, confessa Álvaro.
Para percorrer os 10 mil quilômetros 5 mil de ida e 5 mil de volta até a cidade argentina, os aventureiros calculam que será preciso 17 dias e muita gasolina, já que o Galaxie é conhecido por beber bastante (uma das razões que o levou ao seu desuso).
Segundo Márcio Cichella, proprietário de um dos veículos que irão compor a missão, os três Galaxie tiveram que ser refeitos para agüentarem a viagem. Foram trocados o motor, a suspensão e toda a parte elétrica dos automóveis para evitar contratempos durante o trajeto. O carro é original, mas é inteiro novo, explica Márcio, que é dono de um posto de combustível. Pelos cálculos de Cichella, foram gastos cerca de R$ 25 mil para arrumar cada automóvel.
Participarão da aventura nove pessoas, três em cada Galaxie. Na opinião de Álvaro, a parte mais difícil da missão foi deixar tudo preparado no terreno profissional para funcionar normalmente durante a ausência da equipe. Reunir nove pessoas, com família e compromissos, dispostos a fazer essa viagem é muito difícil, reconhece.
Entretanto, quando o ingrediente paixão, faz parte da idéia central do projeto, as coisas parecem mais fáceis. Os nove viajantes se conheceram no clube Amigos do Galaxie e são apaixonados pelo carro. Márcio conta que aprendeu a dirigir em um Galaxi. Esse é meu carro do dia-a-dia, uso pra tudo, diz. Esse amor vem de família, Márcio e seu pai, Rui Cichella, outro integrante da jornada, têm sete Galaxies, um deles é o modelo Landau 82 que os levará até o ponto mais extremo do sul do continente. Por coincidência, os três veículos que serão usados na viagem são do mesmo ano e modelo.
Desde que decidiram realizar essa aventura, os nove amigos reúnem-se semanalmente para planejar os detalhes. A preocupação não é demasiada, já que o roteiro irá exigir mais do que apenas roupas de frio (a região registra temperaturas de até 12 graus negativos no inverno). Pra baixo, lá na Argentina, têm grandes distâncias onde não há postos de gasolina, explica Álvaro. Por isso é necessário planejar bem onde serão feitas as paradas para abastecer, visto que o Galaxie é pouco econômico faz cerca de 5 quilômetros por litro. Só em combustível, o grupo calcula que irá gastar aproximadamente 2 mil litros de gasolina, cerca de R$ 3 mil
por carro.
Outra preocupação são as peças para reposição. Para não serem pegos desprevenidos, os viajantes levam três sistemas elétricos completos, caso algum componente quebre no meio
do caminho.
O plano é que o grupo passe as noites em hotéis, mas Álvaro não descarta a possibilidade de utilizar o amplo espaço que os carros possuem para transformá-los em dormitórios, principalmente nos trechos onde guiarão por dois dias seguidos. Dá até pra dormir no carro quando bater um cansaço, sugere. Espaço
é o que não falta, completa
o companheiro de
viagem Márcio.


