Quando a estudante Ananda de Paula Paganucci, 17 anos, fez um teste vocacional pela internet, o resultado foi que ela deveria seguir carreira artística. A jovem sempre gostou de música e estuda teclado há 10 anos, piano há 6 anos, e em janeiro começou a tocar flauta doce. Ela não vai fazer vestibular para música, com medo de seguir uma profissão não muito rentável. Para não se distanciar da área optou por se inscrever no vestibular de Construção de Instrumentos Musicais, novo curso tecnólogo da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
  Antes de saber da existência do curso Ananda cogitava a possibilidade de fazer Engenharia Civil, para depois se especializar no setor de engenharia acústica. Mas quando foi em uma feira de profissões promovida pela UFPR e soube da existência do curso, não pensou duas vezes. ‘‘Em Curitiba não existem muitos profissionais neste área e na maioria das vezes os músicos têm que enviar os instrumentos para São Paulo para pequenos reparos’’, conta a estudante.
  O curso de Construção de Instrumentos Musicais da UFPR dura de três a quatro anos. Nesta primeira edição são 75 candidatos para 30 vagas. Aproximadamente 2,5 pessoas por vaga. ‘‘Fiquei mais tranqüila quando divulgaram que são poucos candidatos’’, revela Ananda. No cursinho onde estuda, no Colégio Dom Bosco, apenas mais uma aluna tentará vestibular para o mesmo curso.
  Outra jovem que vai prestar vestibular para um novo curso da UFPR é Sabine Illenseer, 22. Atualmente ela está no terceiro ano de Pedagogia e tentará entrar no curso técnico em Produção Cênica. Ela acredita que estudar algo relacionado com artes auxiliará seu trabalho como pedagoga, já que trabalha com adolescentes que não têm família, tutelados pelo Estado.
  Sabine já havia cogitado a possibilidade de fazer o curso na Faculdade de Artes do Paraná (FAP), mas acreditou que ainda não era acessível para ela, já que nunca havia feito nada relacionado ao teatro. Como o curso da UFPR não exige pré-requisitos, ela decidiu arriscar. A prova não cobra habilidades específicas.
  Este ano o curso Técnico em Produção Cênica tem aproximadamente três candidatos por vaga. ‘‘Pensei que haveria mais gente interessada. Está um pouco mais fácil’’, opina Sabine. O curso dura três anos e depois de formado o profissional poderá trabalhar na direção, sonoplastia, cenografia, produção e também atuar em espetáculos.
Mudança
  A Escola Técnica da UFPR já oferecia cursos de tecnologia de Agroecologia, Gestão Pública e Análise e Desenvolvimento de Sistemas. A partir de agora oferece novas opções. Alguns cursos técnicos se transformaram em tecnólogos, como é o caso de Artes Cênicas, que agora se chama Produção Cênica. O curso técnico de Administração deu lugar a dois novos cursos de tecnologia: Comunicação Institucional e Gestão da Qualidade. As novas opções são nas áreas de Aqüicultura, Biocombustíveis, Biotecnologia, Construção de Instrumentos Musicais e Secretariado Executivo.
Segundo o diretor da Escola Técnica, Alípio Leal, hoje existe uma demanda em relação à formação de mão-de-obra qualificada para atender áreas que estão reprimidas no mercado de trabalho. ‘‘A educação no Brasil não é funcional. Temos que formar pessoas com uma função específica’’, diz. Segundo o diretor, 60% das pessoas que concluem o Ensino Médio não entram em uma universidade.
  Leal também explica a importância de profissionais formados em cursos tecnólogos. ‘‘Para cada profissional graduado é necessário uma equipe de técnicos. Quando vamos ao médico, o hospital necessita de diversos outros profissionais para realizar o trabalho’’, exemplifica.
  A Escola Técnica enfrentou uma certa resistência da UFPR para a criação dos primeiros cursos tecnólogos, já que substituem uma graduação. Mas neste momento a instituição se abre para a comunidade externa e observa as reais necessidades do mercado.
  ‘‘Temos que ter a visão que existem pessoas vocacionadas ao estudo e pesquisa, enquanto outras estão mais ligadas em ir direto para o trabalho. Elas irão preencher este vácuo que existe nas profissões’’,
explica Leal.

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