Divulgação‘‘Baile Perfumado’’ é outro destaque da programação do evento que pretende incluir a cidade no mapa do cinemaOs festivais de cinema devem desempenhar importante papel na reestruturação da chamada sétima arte no Brasil. A opinião é da diretora executiva do Festival de Curitiba, Cloris Ferreira. ‘‘Este tipo de evento abre espaço para a inovação e revela os talentos jovens’’, diz. O cineasta Ruy Guerra, um dos jurados da seleção do festival, concorda. ‘‘E pelo que pudemos sentir pelos filmes inscritos, a qualidade da nova produção está realmente muito boa’’.
Para o documentarista carioca Octavio Bezerra, o surgimento de mais um festival fora da ponte aérea Rio-São Paulo é muito positivo. ‘‘Sempre houve uma concentração de produções e mostras naquele eixo. Agora estamos vendo talentos surgirem em várias partes do país, o que enriquece o debate’’. Bezerra também ressaltou a importância da revalorização dos curtas-metragens, que atualmente só chegam ao grande público por meio dos festivais. ‘‘A classe cinematográfica deve lutar para que o Ministério da Cultura regulamente a lei do curta-metragem’’. A lei, criada em 1975, prevê a exibição nos cinemas de curtas nacionais antes de produções estrangeiras. Ela deixou de ser cumprida em 1990, no governo Collor.
A criação de um novo festival e a retomada das produções brasileiras, entretanto, ainda precisa de um aval maior. É o que pensa o diretor Bruno Barreto. ‘‘Qualquer euforia é perigosa. Voltou-se a fazer cinema, mas a qualidade dos filmes e a resposta do público é que dirão se há uma retomada ou não. É preciso fazer filmes melhores para legitimar esta retomada’’.

mockup