NOVA FACE DO FEMININO - Mulheres mergulham no universo high tech
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de janeiro de 2008
Fabiana Caso<br>Agência Estado 
São Paulo - Wi-fi, bluetooth, pocket PC, smartphone. Muitas mulheres estão mergulhando no mundo dessas siglas. As palavrinhas em inglês representam diferentes tecnologias e aparelhos portáteis, mas, para elas, o seu significado resume-se à praticidade no dia-a-dia. Não contentes em apenas usar os gadgets - gíria para ''aparelhos portáteis'' - muitas esmiúçam o funcionamento das engenhocas e comandam blogs, onde discutem prós e contras de cada produto.
Mais do que brinquedinhos, esses aparelhos garantem otimização do tempo. Principalmente para quem tem um cotidiano agitado, como a dentista Beatriz Kunze, de 32 anos. Desde criança, ela gosta de computadores, câmeras fotográficas e afins. Mas quando acabou a faculdade, precisou de uma solução para a vida agitada. Tinha um consultório próprio, trabalhava com um dentista e ainda fazia uma especialização. Foi quando comprou o primeiro palmtop, para armazenar dados, matérias do curso e até livros completos. ''Comecei a procurar aplicação para a tecnologia na minha área'', lembra.
Não brincou em serviço. Tanto que começou a usar a tecnologia para montar um consultório de odontologia móvel, com o qual atende pacientes idosos, deficientes ou outros que tenham problemas de locomoção e não possam ir até o consultório. Em seu pocket PC, armazena todos os dados das pessoas atendidas, assim como as imagens de cada caso. E grava músicas tranquilas em seu Ipod, para colocar para os pacientes ouvirem durante o tratamento. O atendimento domiciliar virou sua especialidade - e seu diferencial. ''Também uso o Ipod para gravar podcasts, que são minha maior fonte de notícias'', conta a dentista hi-tech.
Beatriz começou até a escrever um blog com resenhas de produtos wireless, o Garota sem Fio (www.odontopalm.com.br/gsf). E acabou ficando tão conhecida no meio que passou a ser procurada por profissionais liberais para dar consultoria em tecnologia móvel, indicando os melhores aparelhos e soluções. Essa atividade corresponde hoje a 50% de seus ganhos.
''Nós, mulheres, sofremos uma pressão muito grande, porque além de boas estudantes e profissionais, temos que manter a casa em ordem, cuidar do marido e dos filhos. E, ainda por cima, precisamos estar com o cabelo bonito, as unhas bem pintadinhas, magras e gostosas.'' Enfim, ela tenta dar conta de todos esses papéis com o auxílio da tecnologia móvel.
Múltiplas utilidades
A analista de qualidade Bruna Pazinato, 25, também não vive sem a mãozinha da tecnologia móvel. Ao contrário de Beatriz, ela não sabia nem o que era palmtop até 2004. Mas quando um amigo comprou um, ela se encantou com os recursos do pequeno computador. Resolveu investir no Palm Tungsten P3. Cheio de funções, o aparelho agilizou seu trabalho na época, como secretária. ''Tinha todos os dados à mão.''
Desde então, começou a entrar em listas de discussão na internet e também criou um blog, o www.futilfutilidade.blogspot.com. Entre outros quesitos, comenta as alegrias da tecnologia portátil.
A paixão pela tecnologia foi crescendo e, no ano passado, guardou o décimo-terceiro salário para comprar um smartphone (telefone inteligente, que serve como computador de bolso, e ainda filma, fotografa, baixa músicas etc.). Com ele, roda o Windows, sincroniza informações de trabalho e conecta-se em qualquer lugar. Uma mão na roda para quem trabalha o dia todo e cursa engenharia elétrica à noite. ''Com ele, gravo todas as aulas e depois fica mais fácil para eu estudar.''
Antes de dormir, aproveita para sintonizar uma rádio do Japão ou Inglaterra e ouvir sons diferentes. ''O smartphone só não lava roupa para mim'', diverte-se. ''A tecnologia mudou totalmente a minha vida, otimizou muito meu tempo no trabalho. Não sei mais viver sem.''


