Nota original do Império pode custar R$ 40 mil
Thomas Radtke relata que começou a se interessar pelo assunto ainda criança. ''Eu colecionava moedas do Império Alemão'', aponta o pesquisador, nascido em Berlim há 61 anos. Radtke manteve o interesse e tornou-se um colecionador dedicado em 1976, ano em que se mudou para o Brasil, onde começou a trabalhar como empresário. ''Além do interesse que eu tinha, usava (o hábito de estudar e colecionar dinheiro antigo) como terapia, para 'desligar' a mente.''
''Quando comecei, não havia literatura tão completa sobre o assunto, a inflação era galopante e não havia tanta noção de preços dos itens. Hoje, com literatura abundante, com peças divididas em categorias, a pessoa tem muito mais noção dos preços'', compara Radtke. Há seis anos, o pesquisador iniciou o hobby de fazer reproduções de cédulas de dinheiro.
''Sou o único do Brasil que faz reproduções em tamanho original. Nos últimos anos, fiz um grande investimento em fotolitos e impressão, e forneço para pessoas desde Porto Alegre até Manaus. Tenho esse hobby de oferecer reproduções, não é comércio. É um serviço que presto para quem quer completar sua coleção a baixo custo e algo que ajuda a espalhar o lindo mundo numismático brasileiro'', explica.
Um dos itens de destaque da exposição que está na Biblioteca Pública é uma reprodução em tamanho original de uma nota de 500 mil réis, cédula que circulava nos últimos anos do Império. Radtke aponta que um original desta cédula hoje custaria R$ 40 mil. ''Vendo a reprodução por R$ 22'', diz o colecionador.
Radtke estima que haja no Brasil atualmente cerca de 10 mil colecionadores de cédulas, moedas e/ou medalhas com grandes acervos. O pesquisador garante que o hábito abre portas para um mundo fascinante, mas é bom ter alguns cuidados. ''Com ou sem dinheiro, não compre material de baixa qualidade. Se não tiver como gastar muito, compre pouco, mas compre itens de qualidade. Busque literatura para evitar investimentos errados, para não comprar de gente mal intencionada. Se você tiver conhecimento, terá como se defender'', alerta Radtke. (F.G.)





