Nosso desafio é produzir mais carne
O Brasil é o 5º maior país do mundo, com área de 8,547 milhões de quilômetros quadrados. Possui 80 milhões de hectares de terras cultivadas com agricultura e pecuária, com produção de 82,5 milhões de toneladas de grãos e 14,5 milhões de toneladas de carne. A produção agropecuária brasileira é pequena, se considerarmos a extensão territorial, o clima favorável, o solo e ainda as tecnologias disponíveis no mercado mundial.
Ainda assim, o cultivo da terra e a criação de animais são responsáveis por aproximadamente 15% do PIB brasileiro. Imagine o quanto seria se tivéssemos condições de explorar todos os aspectos de território, solo, clima e tecnologias acima citados.
Os produtos agrícolas enfrentam problemas de preços no mercado internacional mas, mesmo assim, as exportações agropecuárias representam 40% das receitas brasileiras.
A pecuária brasileira vem crescendo nos últimos anos, passando por um período de forte expansão, onde temos o maior rebanho comercial de bovinos do mundo, e somos grande produtor mundial de carne de frango, sem esquecer que o rebanho suíno também está em crescimento acentuado.
Considero que o bom desempenho da pecuária deve-se ao crescimento da demanda interna do País, atribuída à melhoria do poder aquisitivo, e ao crescimento das exportações.
Nos produtos agrícolas, o Brasil é importador de aproximadamente 10 milhões de toneladas, com ênfase para o trigo. Isso é bastante para um país que tem condições de ser totalmente auto-suficiente nessa cultura e em todos os produtos agrícolas.
O Estado do Paraná foi o primeiro em produção agrícola em 1996, 1997, 1998 e 1999. Em 2000, ficou em segundo, perdendo para o Mato Grosso. Mas cresceu na produção da carne de frango, na qual é o primeiro no ranking nacional. A produção agrícola do Estado é superior a 17,5 milhões de toneladas, representando 21% da produção nacional. Com uma ressalva: toda essa produção vem de um Estado com 199 mil quilômetros quadrados, ou seja, 2,3% do território nacional.
A pecuária está crescendo, sendo o frango o grande destaque. Em seguida vem a suinocultura e há excelentes perspectivas para a produção de leite e derivados. Isso devido ao bom clima, com temperaturas mais amenas do que as da maior parte do Pais.
A produção pecuária, voltada para os mercados interno e externo e impulsionada pela boa produção de grãos do Estado, é a perspectiva do Paraná para o próximo século. Ou seja, agregar valor nos produtos agrícolas, transformando proteína vegetal em proteína animal, gerando empregos e estabilidade, e aproveitando a boa infra-estrutura do Estado e as condições favoráveis de produção agrícola. Precisamos aproveitar a boa produção de grãos e transformá-los em carne e produtos nobres, de alto valor.
Na economia do Estado, no entanto, a indústria cresceu muito nos últimos anos. Mas o peso da agropecuária no valor agregado ainda é bem maior, pois temos condições de melhorar, e muito.
O que nos falta são programas de incentivo fortes para atrair investimentos, com juros compatíveis ao setor. Pois a resposta da agropecuária do Paraná será maior que a de todos os setores, quando tivermos grandes movimentos no setor agroindustrial. Aí teremos a maior produção do País em carne de aves, suínos, bovinos e leite.
- Dilvo Grolli é diretor-presidente da Cooperativa Agropecuária Cascavel Ltda (Coopavel)





