Nosso Carnaval já tem uma rainha
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
As nove candidatas à Rainha do Carnaval da cidade se apinhavam em um pequeno camarim do Clube Operário, na noite da última quinta-feira. Entre as concorrentes, uma era gaúcha, cinco nasceram em Curitiba e Região Metropolitana, uma em São Paulo, outra na Bahia e, por fim, uma carioca. De 1999 a 2007, Tatiana de Moraes Pereira Spezbeuka, 27, desfilou pela Beija-Flor de Nilópolis. É professora de educação física, bailarina e sonha atuar em mais novelas - fez figuração em ''Sinhá Moça'', da Globo, e''Prova de Amor'', da Record. ''Sempre gostei de Carnaval. Estou entusiasmada para conhecer o daqui'', diz.
''Temos dois candidatos a Rei Momo'', explica Jaciel Teixeira, 39, o presidente da Comissão Executiva do Carnaval 2009 e coordenador do concurso, organizado pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC). De um lado, Emilson Ribeiro Taborda, o Gipão, 52 anos, cujas formas já lhe valeram o título por nove vezes não-consecutivas desde 1996, quando foi eleito pela primeira vez. Mauro Lúcio Silva, 40, o desafiante, responde por ''Parente Tibúrcio'' e tem 88 quilos distribuídos em 1,78 m - representante dessa geração de reis momos magrinhos. É filho de criação e dançarino de Zeca Pagodinho, que, ele conta, o tirou das ruas quando tinha 14 anos. Tibúrcio também é animador de palco do Faustão, tarefa que executa há três meses.
O júri que define a Rainha, a Princesa e o Rei Momo era para ser composto por quatro funcionários da FCC e três vereadores. ''Pois, é, cheguei atrasado porque estava em uma auditoria'', comenta o político Roberto Hinça, 41, que acabou substituído. ''Sempre divulgo o Carnaval da cidade em meus programas no rádio e na TV. É uma festa que merece ser mais conhecida. As pessoas se entregam de corpo e alma.'', opina. Hinça acredita que falta o apoio da iniciativa privada, tão presente em carnavais de outras cidades. ''Sempre que posso, participo como jurado de eventos como este'', lembra. Em fevereiro, foi membro do júri do Bem Bolada, concurso que elege há anos durante o Carnaval a prostituta mais bonita de Curitiba.
Equilíbrio
Sergio Renato Bueno Balaguer, 41, o Serginho do Posto, terceiro vereador mais votado nas últimas eleições, com 12.661 votos, entende que há um equilíbrio entre as candidatas. Suas notas, distribuídas nos quesitos beleza, ritmo, desenvoltura, simpatia e harmonia, dão empate para duas candidatas. ''Foram muito bem, mas faltou um pouco de gingado e samba no pé.'' Antonio Hornnig pula, grita e sacode de platéia. Veste uma camiseta da Beija-Flor e torce por sua esposa, a carioca Tatiana, candidata de número 06. ''Eu acredito muito na vitória, pois ela tem samba no pé'', diz sem esconder a exaltação.
Karim Anjos, 28, é a mais aclamada pelo público graças ao apoio de cinco amigas, que berram sem parar a cada entrada sua. Participou pela primeira vez há quatro anos. ''Foi horrível. O salto quebrou, a escola não ajudou.'' Pela falta de apoio, ela, que é rainha da escola Acadêmicos da Realeza desde 2003, sai de maneira independente, por conta própria. Karim aponta para a vereadora Julieta Reis, que também é do júri, e brinca. ''Se você votar em mim, voto em você!''. Como muitas das concorrentes, ela mesma bancou a fantasia, em que, conta, gastou muito dinheiro. Formada em Turismo, trabalha em um hotel. ''Mas danço o ano inteiro. É batizado, formatura; Onde me chamarem eu vou'', diz.
Sete delas representam escolas de samba. Vestem fantasias por vezes compradas - por valores que transitam entre R$ 200 e R$ 1000 -, ora feitas por conta própria. Caso de Veridiana Quadro, 20, a mais jovem, que trabalha como empregada doméstica. ''Só conheço Carnaval pela tevê. Minha participação foi uma decisão de última hora e costuramos a minha fantasia hoje.'' Já Daniele Rodrigues, 28, teve o apoio da Embaixadores da Alegria, que trouxe duas candidatas. Ela é modelo há três anos e está em cartaz com um musical no Teatro Lala Schneider. ''Participei do concurso há sete anos. Mas não tinha fantasia, vim de biquíni de praia.''
Depois de uma entrada em grupo e duas individuais, as candidatas aguardam o resultado no camarim, que fica apertado - mais pelo tamanho das fantasias do que pelo número de concorrentes. No retorno ao palco, com 234,5 pontos, Ligia Bueno, 24, mantém o título de Princesa do Carnaval - pouco depois, não esconde o desapontamento pelo segundo lugar. ''O objetivo era ser rainha'', diz. A vencedora, cujo nome ainda não havia aparecido neste texto, é, por fim, anunciada. Os 246,5 pontos elegeram Roseane Oliveira, de 33 anos e 1,58 m. Vestia um salto de 20 centímetros, e chorou enquanto comemorava. A assistente comercial nascida em São Paulo vai deixar, ao menos por um ano, a posição de Rainha da Bateria da Leões da Mocidade. ''É uma grande responsabilidade e estou muito feliz. Porque gosto muito e porque quando você faz as coisas com o coração, elas acontecem.'' Pouco depois, ela comemorava ao lado de Tibúrcio, o magrinho recém-eleito o Rei Momo do Carnaval de Curitiba.


