'Nos jogos, eu orava com a Bíblia na mão', conta Héber
A vida seguiu normalmente até quando Héber Roberto Lopes decidiu se tornar árbitro, ainda muito novo, aos 15 anos. Dona Ursulina lembra da preocupação que tinha quando Amarildo Vieira Martins, hoje diretor da Portuguesa Londrinense, passou a levar o filho para apitar jogos na região. ''Todo sábado cedo, eu via chegar aquele homem pra levar o Héber com ele e só voltavam no final do dia. Como eu não sabia o que era, um dia parei no portão com a Bíblia e exigi que me dissesse o que é que ele estava fazendo com meu filho''.
Foi quando Amarildo na época diretor de árbitros da Liga de Futebol de Londrina revelou à mãe que não havia dito antes porque poderia ser até denunciado, pelo fato do garoto ser menor de idade. Aceita a justificativa, dona Ursulina passou a levá-lo de carro aos jogos nos lugares mais distantes. ''Eu tinha um Fusquinha e levava o Héber, porque ele não podia dirigir. E a gente ia em cada lugar que só vendo'', recorda.
Ela lembra de um episódio em que Héber poderia ser espancado por dirigentes ao final do jogo, no campo do Kilowatt, em Londrina (ele apitava jogos de futebol suíço, futsal e do Campeonato Amador). ''No primeiro tempo vi que o dono do time da casa só xingava. E eu ali com o vidro do Volks fechado, com a Bíblia na mão e orando dentro do carro. Não sei o que aconteceu, mas no final o homem foi até o Héber e em vez de bater nele, deu um abraço.''
Até hoje, quando sabe que o filho vai apitar no Brasil ou no exterior, dona Ursulina não assiste aos jogos. ''Não gosto de ouvir o pessoal falando mal dele'', diz.
Héber destaca o apoio que recebeu da mãe e da irmã. Já dos quatro irmãos não teve nenhum estímulo. Os mais velhos lhe diziam, segundo a mãe, que na hora em que ele tomasse ''uma pisa (surra) bem grande'' não ia mais querer saber de apitar. Ele não desistiu, mas passou a não levar mais dona Ursulina aos jogos, por considerar que ''campo não é ambiente para uma mãe''. ''Ainda mais mãe de árbitro, que é ofendido desde o momento em que pisa no gramado'', conclui . (J.K.)





