Na periferia de Curitiba, os conflitos entre grupos rivais são ainda mais frequentes. No Cajuru (um dos maiores bairros da Capital), as turmas se dividem por vilas: Trindade, Autódromo, Centenário e Camargo. Uma linha de trem divide os moradores das vilas. Na Vila São Domingos, pouco se relata sobre as histórias de violência no local. Uma das lideranças do bairro confessa que a situação não é nada fácil. ''As gangues dominam os bairros. São usuários de drogas e traficantes que se unem em grupos e provocam vários assassinatos. A população tem medo de denunciar e a polícia não consegue adivinhar quem são os líderes das gangues. As pessoas corretas é que são abordadas'', disse a liderança, que não quis se identificar.
As denúncias feitas pelo disque ''181 Narcotráfico'' nunca dão certo, segundo o morador. ''A gente tem que ligar quatro ou cinco vezes de números diferentes para que a Polícia Militar verifique a denúncia. Até virem, já ocorreram muitas mortes. A gente ensina as famílias aqui a não se preocupar com o tráfico. A dizer: 'não mexam comigo porque estou numa boa'. Tem que ignorar ou fingir que não vê nada. Essa é a norma aqui, é a lei.''
Dados da Associação de Moradores da Vila São Domingos demonstram que nos últimos cinco anos, os assassinatos na região aumentaram em mais de 60%. A violência escolar faz parte do cotidiano da população local. ''A gente já não sabe se a situação pode melhorar. Mas a gente está cadastrando monitores de rua. Que cuidam das casas do povo para evitar que moradores de outras vilas promovam assaltos nas residências de grupos rivais'', diz o presidente da associação, Durvalino Manoel Pinto.
O major Douglas Dabul, chefe do Setor de Planejamento do Comando do Policiamento da Capital (CPC), disse que o combate ao grupamento de jovens (que ele não chama de gangues porque os adolescentes não fazem parte do crime organizado) precisa começar pelas lideranças, ou seja, os traficantes. As denúncias seriam fundamentais neste processo.
''O nosso grande problema é o líder. Não é verdade que é necessário ligar para o 181 várias vezes para que a Polícia Militar comece a agir. Basta que o denunciante ligue e dê confiabilidade na informação que está dando. Detalhes como hora em que sai, placa do carro, rotina. A polícia precisa confiar na informação'', explicou o major.
Dabul não acredita que apenas a repressão policial pode solucionar o problema das regiões onde os grupos atuam. ''Identificamos os grupos, verificamos as lideranças e o foco de atuação. Fazemos batidas para evitar que os grupos andem armados, com drogas ou bebidas'', salientou. (L.P.)

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