Londrina, Maringá, Arapongas, Apucarana e todos os outros municípios que compõem a região norte do Paraná deveriam se unir num grande conselho de desenvolvimento para atrair investimentos internacionais. A afirmação é do advogado empresarial Bruno Pedalino, que assessora empresas em três escritórios montados em Londrina, Curitiba e São Paulo. ''Tem muita empresa querendo investir aqui, mas falta a gente se organizar'', analisa.
Pedalino é referência de executivos de empresas multinacionais como canal de negociação para a abertura de novos pólos industriais. Como londrinense, o advogado vende a imagem do norte do Paraná aos estrangeiros. ''Semanalmente recebo grupos interessados em conhecer a região para futuros empreendimentos'', revela.
Ele diz que o roteiro inclui visitas às universidades de Londrina e Maringá e indústrias já instaladas. Mas o que mais chama a atenção dos investidores é a posição geográfica privilegiada da região e a qualidade de vida encontrada nas cidades norte-paranaenses. ''Eles ficam maravilhados com o Lago Igapó, em Londrina e o Parque do Ingá, em Maringá, duas lindas áreas de lazer bem no centro dessas cidades. Isso é levado muito em conta, viver bem, poder chegar rápido ao trabalho'', destaca.
Se esses são os pontos fortes, a região também tem suas fraquezas, o que, segundo Pedalino, muitas vezes impede decisões favoráveis. ''O que acontece é que cada município quer concorrer com o vizinho, o que é um conceito errado. Outro erro é esperar dos políticos um plano de desenvolvimento regional. Precisamos criar mecanismos para nos desenvolver independentemente de política industrial em nível nacional, reforma tributária ou política monetária nacional''.
Para não ficar só no marketing, o advogado tratou de montar uma infra-estrutura para convencer as multinacionais. Na prospecção de novos parceiros, Pedalino criou três 'Câmaras de Comércio': Brasil/Paraná-China, Brasil/Paraná-Índia e Brasil/Paraná-Rússia. As três existem há 8 meses, passaram pelo processo de estruturação e agora estão em fase de organização. A iniciativa é inédita em cidades do interior do Brasil. ''Estamos criando 'cidades-irmãs' entre todos os municípios do norte do Paraná e algumas cidades desses três países'', conta. ''Elas também vão interagir com o norte do Paraná no setor industrial, cultural e de desenvolvimento'', completa.
Além disso, o advogado também coordena a formação de novos sindicatos empresariais regionais como o Sindicato das Indústrias Plásticas, Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas, Sindicato dos Médicos, entre outros. ''É importante formarmos as entidades e colocar no comando diretores dessas empresas que moram na região, pois eles sabem as necessidades. É comum empresas montarem o parque industrial aqui, mas a diretoria concentrar as decisões em sua matriz, no eixo Rio-São Paulo ou em outras metrópoles. Trazendo para cá, fortalecemos a importância da região'', esclarece.
Outra estratégia é promover reuniões entre entidades de Londrina e Maringá, para debater o desenvolvimento regional. ''Já provoquei reuniões entre a Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina) e a Codem (Companhia de Desenvolvimento de Maringá) e já me reuni também com os prefeitos das duas cidades. Londrina e Maringá têm que caminhar de mãos dadas, rumo ao crescimento econômico'', argumenta.
Há mais de 20 anos no ramo, Bruno Pedalino ainda atua quase solitariamente no contato com os empresários estrangeiros. Mostra características de sonhador quando fala em desenvolvimento. Um sonho que está perto de começar a se realizar. Os olhos brilham quando ele argumenta que falta pouco a fazer para que uma enxurrada de empresas se instale no norte do Paraná. O advogado diz que alguns grupos chineses e indianos têm real interesse em investir. ''Estamos propondo a criação no norte do Paraná de parques industriais para empresas chinesas, e outro para indústrias indianas. Seria uma forma desses grupos se sentirem em casa'', revela.
Para que os empreendimentos passem do namoro ao casamento, Bruno Pedalino recomenda primeiro a formação de um conselho permanente suprapartidário de desenvolvimento. Isso incluiria a participação efetiva das associações comerciais e industriais, mas numa abordagem macro do projeto. ''É importante que cada uma contribua com o crescimento regional, não só municipal. Se essas entidades se envolvessem, seria como por o pé no acelerador'', conclui.

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