Norma exige prevenção de acidentes mais eficaz
Boa parte dos acidentes no atendimento hospitalar seguramente ocorre com instrumentos perfurocortantes, como agulhas, lâminas de bisturi, tesouras e pinças. Quem afirma é Sérgio Silveira de Barros, chefe do setor de Saúde e Segurança no Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Paraná.
''Mesmo usando duas luvas em cada mão não há como se proteger. Na nova norma regulamentadora criada pelo Ministério do Trabalho e Emprego fica proibido a tentativa de recapsular a agulha usada, tendo que ser jogada por inteiro dentro de um recipiente para descarte adequado'', informa.
Barros se refere à NR 32 ou Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência a Saúde, que está em vigor, e enfatiza o treinamento dos profissionais do setor para prevenção de acidentes somada a um sistema de gestão de risco e garantia para os trabalhadores. ''A NR 32 propõe trabalhar com planejamento, antecipando o risco de acidentes, inovação de métodos e equipamentos de trabalho, dando a visão sistêmica para todos daquilo que é insalubre no ambiente hospitalar. Essas sanções de prevenção de acidentes é uma política de responsabilidade social, compete ao empregador desenvolvê-las para o bem-estar da comunidade'', explica Barros.
A NR 32 orienta que os fabricantes de perfurocortantes criem com urgência equipamentos seguros, que diminuam os riscos na manipulação. ''Ela insiste na orientação e em todo conjunto de vacinas preventivas de profilaxia, no caso do acidente, coquetel de remédios e acompanhar o trabalhador para ver se não desenvolve nenhuma patologia. Uma vez que tenha ocorrido a perfuração ou corte é possível a contaminação por agentes biológicos'', diz Barros, reforçando que a notificação de acidentes é intensa no atendimento hospitalar, o que pode colaborar para que lidere o ranking de acidentes do trabalho.
Barros lembra que os profissionais que trabalham na radiologia, nas caldeiras que geram vapor, com os cilindros de oxigênio, quimioterápicos, lavanderia, marcenearia e cozinha, por exemplo, também estão expostos ao outros riscos dentro dos hospitais. ''O tratamento direto com agentes biológicos e outras contaminações são inúmeras dentro dos hospitais. Um hospital é naturalmente de alto risco. Não é nosso interesse interditar esses estabelecimentos, o que a gente faz é orientar, notificar, autuar, multar e cobrar a legislação, buscando diminuir as taxas de contaminações'', diz ele.
Um acidente em série, ocorrido há quatro anos no Hospital de Clínicas, teve como uma das vítimas o marceneiro Rafael Krasota, de 39 anos. Após ajudar no resgate de trabalhadores terceirizados que faziam um serviço de impermeabilização de uma caixa d'água do hospital - e acabaram desmaiando dentro do local -, Krasota teve a saúde prejudicada por ter ficado exposto ao produto químico. ''Quem entrava para salvar os outros não voltava, então chamamos os bombeiros e ajudei a quebrar a caixa d'água e a puxar os homens com cordas'', lembra ele.
''A partir daí comecei a ter falta de ar, porque tenho problemas cardíacos e fiquei afastado. Fiz tratamento contínuo com remédios, até que um exame revelou que eu tinha bronquite equistazia cística, cerca de dois anos depois'', relata Krasota, que trabalha hoje no setor de faturamento do HC. ''Ficou diagnosticado como uma doença ocupacional. Estou impossibilitado de exercer minha profissão para evitar contato com produtos químicos. Fico triste porque escolhi ser marceneiro, mas preciso ter saúde para criar meus filhos'', pondera ele. (F.G.)
SERVIÇO
Acontece nos dias 13 e 14 de março o Simpósio de Direito Aplicado em Saúde, no Victoria Villa Hotel. O evento, promovido pelo Sistema Fehospar e Sidicato e Associação dos Hospiatais do Paraná, propõe debater temas cotidianos das relações que envolvem hospitais, instituições de saúde, seus empregados e clientes, além do decreto que regulamenta o Nexo Técnico Epidemiológico e as particularidades da nova sistemática de cálculo do Fator Acidentário Previdenciário (FAP). Alguns dos palestrantes são o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná Miguel Kfouri Neto, o juiz do Trabalho Paulo Conti e o presidente do Conselho Jurídico da Confederação Nacional de Saúde, Alexandre Zanetti. Informações no site www.fehospar.com.br ou pelo fone (41) 3254-1772.





