Nome é uma homenagem a Ulysses Guimarães
Com 86 anos de idade, o lavrador aposentado José Gabriel de Oliveira é o ''arquivo vivo'' de Doutor Ulysses. Morando na cidade desde que nasceu, ele conhece bem a história do lugar e a conta com orgulho para quem quiser ouvir, logo convidando os visitantes para entrar. Aliás, a hospitalidade e a boa educação são características dos ulyssenses.
Segundo ele, as terras do lado paranaense do Vale do Ribeira eram um grande quilombo de negros - fugitivos da escravidão ou já alforriados - quando os primeiros homens brancos começaram a aparecer por ali.
Então, o líder do povo quilombola, João da Lança, resolveu vender parte das terras para os brancos e doou 40 alqueires para a igreja católica. No entanto, os padres que deveriam tomar posse da terra moravam em Paranaguá e não demonstraram interesse pelo presente. Dessa forma, um fazendeiro chamado Marins Camargo, que já havia comprado uma grande parte do território do quilombo, ficou também com o que deveria ser da igreja.
Vendo o número de colonos aumentar e a necessidade de fundar uma vila, foi um irmão de Seu José, Pedro Gabriel de Oliveira, que teve a iniciativa de ir até o fazendeiro e pedir que devolvesse a terra dos católicos. Marins Camargo concordou, mas devolveu somente 18 alqueires. Nascia, então, nas primeiras décadas do século XX, a Vila Branca.
Em 1990, a Vila desmembrou-se de Cerro Azul e ganhou status de município. Em dezembro de 1992, por vontade do patrono da cidade, o então deputado estadual Aníbal Khury, a cidade mudou sua denominação para Doutor Ulysses, como forma de homenagear o deputado federal Ulysses Guimarães, que havia desaparecido em outubro daquele ano, depois de sofrer um acidente de helicóptero no litoral do Rio de Janeiro.(W.S.)





