Nocaute
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
"Retratando a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, Jair, ao mesmo tempo que omitiu o sexo do casal de amaldiçoados, ressaltou-o no caso do Criador", deu a reportagem de um jornal de Curitiba do dia cinco de setembro de 1973. Para completar, o repórter, que não assina o texto, sugere. "Esta foi possivelmente a primeira vez na história que Deus aparece nu numa obra de arte religiosa." O autor da obra polêmica não é ateu. Responde por Jair Mendes, 70, e carrega a imagem de Nossa Senhora em seu Fiat Palio 1997. Ele lembra-se de maneira clara dos meses que antecederam à inauguração do Centro de Criatividade de Curitiba, no dia 14 de dezembro de 1973, local que expõe até hoje os seus cinco painéis talhados em 29 pedaços de madeira.
"Contava a história desde a criação até a modernidade, com a Monalisa, de Da Vinci. Essas figuras sacras são todas iguais. Não esperava que fosse causar escândalo", lembra Mendes. Em sua opinião, a revolta começou com a publicação de uma foto de seu rosto em um jornal na qual aparecia ao lado do volumoso membro talhado em madeira. Depois, vieram manchetes como "Artista pinta Deus com sexo" e reportagens em diversos veículos, chegando a VT no Fantástico. "O Dom Pedro Fedalto me perguntou: Não dá para botar uma tanguinha?." Uma possível referência ao caso da Capela Sistina, onde o sexo dos anjos chegou a ser escondido. Na inauguração do Centro de Criatividade, lá estava a obra, sem intervenção alguma.
Devido à divulgação na mídia, Jair recebeu uma surpresa em sua caixa de correio. "Chegaram milhares de cartas. Eram todas de evangélicos. Um sujeito escreveu: É mais fácil esvaziar um oceano com uma colher de chá do que você escapar do inferno. Me deu certo renome, mas também foi muito pesado", conta.
Na opinião do jornalista Francisco Alves dos Santos, 62, que escreveu uma breve biografia do artista no catálogo da última exposição individual, em 2005, o causo só aconteceu pois eram anos de Ditadura Militar. "Tem muito a ver com o espírito de repressão, de uma época em que tomou corpo a Igreja reacionária. A malícia está na cabeça das pessoas", opina. Hoje, a parte da obra que causou polêmica passa despercebida. Ao menos na visão de Ana Maria Kohler Pires, 47, atual coordenadora do Centro de Criatividade. "Recebemos muitas visitas de escolas e os painéis chamam muito à atenção das crianças por serem bonitos e feitos de madeira. Mas eles nem dão bola para o nu. Já os adultos observam, mas nunca comentaram nada comigo", relata.
"Retratando a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, Jair, ao mesmo tempo que omitiu o sexo do casal de amaldiçoados, ressaltou-o no caso do Criador", deu a reportagem de um jornal de Curitiba do dia cinco de setembro de 1973. Para completar, o repórter, que não assina o texto, sugere. "Esta foi possivelmente a primeira vez na história que Deus aparece nu numa obra de arte religiosa." O autor da obra polêmica não é ateu. Responde por Jair Mendes, 70, e carrega a imagem de Nossa Senhora em seu Fiat Palio 1997. Ele lembra-se de maneira clara dos meses que antecederam à inauguração do Centro de Criatividade de Curitiba, no dia 14 de dezembro de 1973, local que expõe até hoje os seus cinco painéis talhados em 29 pedaços de madeira.
"Contava a história desde a criação até a modernidade, com a Monalisa, de Da Vinci. Essas figuras sacras são todas iguais. Não esperava que fosse causar escândalo", lembra Mendes. Em sua opinião, a revolta começou com a publicação de uma foto de seu rosto em um jornal na qual aparecia ao lado do volumoso membro talhado em madeira. Depois, vieram manchetes como "Artista pinta Deus com sexo" e reportagens em diversos veículos, chegando a VT no Fantástico. "O Dom Pedro Fedalto me perguntou: Não dá para botar uma tanguinha?." Uma possível referência ao caso da Capela Sistina, onde o sexo dos anjos chegou a ser escondido. Na inauguração do Centro de Criatividade, lá estava a obra, sem intervenção alguma.
Devido à divulgação na mídia, Jair recebeu uma surpresa em sua caixa de correio. "Chegaram milhares de cartas. Eram todas de evangélicos. Um sujeito escreveu: É mais fácil esvaziar um oceano com uma colher de chá do que você escapar do inferno. Me deu certo renome, mas também foi muito pesado", conta.
Na opinião do jornalista Francisco Alves dos Santos, 62, que escreveu uma breve biografia do artista no catálogo da última exposição individual, em 2005, o causo só aconteceu pois eram anos de Ditadura Militar. "Tem muito a ver com o espírito de repressão, de uma época em que tomou corpo a Igreja reacionária. A malícia está na cabeça das pessoas", opina. Hoje, a parte da obra que causou polêmica passa despercebida. Ao menos na visão de Ana Maria Kohler Pires, 47, atual coordenadora do Centro de Criatividade. "Recebemos muitas visitas de escolas e os painéis chamam muito à atenção das crianças por serem bonitos e feitos de madeira. Mas eles nem dão bola para o nu. Já os adultos observam, mas nunca comentaram nada comigo", relata.


