No verão, menos apetite e mais cuidados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de janeiro de 2006
Agência Estado 
São Paulo - Ao contrário do inverno, período em que é comum aquela ''fome de leão'', durante a estação mais quente do ano não é raro que as temperaturas elevadas inibam o apetite. Durante o verão, este efeito - chamado anorexígeno - pode ser um fator positivo para quem quer ''enxugar'' as medidas do corpo, depois dos excessos alimentares cometidos durante os meses de frio.
Sob as temperaturas mais baixas, o organismo gasta mais energia para se manter aquecido. Um gasto que normalmente se compensa com a ingestão de comidinhas calóricas como chocolates, docinhos e carboidratos em geral. No verão, no entanto, essa energia não é despendida. Em compensação, nos dias quentes ocorre maior perda de líquidos e minerais, devido ao aumento da temperatura corporal e à transpiração excessiva. Por isso, a necessidade de se hidratar.
''É importante que todo líquido perdido seja reposto. Água, suco, sorvete de frutas, como o de limão, e a água de coco são excelentes opções'', recomenda a nutricionista Jocelem Salgado, professora do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade Estadual de São Paulo (Esalq/USP), de Piracicaba. Para repor essas perdas diárias, a pessoa pode valer-se ainda da ingestão de chás, vitaminas ou leite.
Muito líquido - A água é o maior componente do corpo humano. Ocupa entre 45% e 70% de seu volume, o que equivale de 33 a 53 litros para uma pessoa que pese 75 kg. Em condições normais, o organismo de um adulto perde em média 2,5 litros de água por dia na forma de suor, urina (cerca de 50% do total) e fezes. Durante o verão, porém, essa quantidade de líquidos pode ser perdida em apenas uma hora de atividades físicas. E é por isso que toda a estratégia de alimentação nesse período deve atender, principalmente, as necessidades de hidratação do indivíduo.
Vale lembrar que a perda maior de líquidos pelo organismo, o aumento de atividades físicas e o eventual consumo de alimentos contaminados ou malconservados podem causar um problema comum nos meses de calor: a desidratação. Para evitá-la é importante que as pessoas - sobretudo crianças e idosos - tenham uma boa alimentação e ingiram líquidos de forma regular.
A água de coco é apontada pela professora Jocelem Salgado como uma excelente opção para a reposição de líquidos durante o período de calor ou atividade física intensa ou mesmo para ser utilizada em casos de desidratação. Além de possuir baixo valor calórico (são 19 calorias a cada 100 ml), a água de coco tem composição nutricional semelhante à do soro fisiológico (devido ao sódio e potássio que possui); o que faz com que hidrate o organismo de forma rápida. Segundo a especialista, a água de coco pode ser utilizada até mesmo para repor a perda de minerais no caso de vômitos e/ou diarréia.
E quanto de água e outras bebidas deve ser consumido por dia? A supervisora técnica da RGNutri Consultoria Nutricional, Cibele Crispim, afirma que ''cada pessoa tem sua necessidade, mas a quantidade deve girar em torno de 2,5 litros por dia''. Questionada sobre pesquisas recentes que destacam os efeitos nocivos do excesso de líquidos sobre o organismo, a nutricionista - que é especialista em Fisiologia do Exercício - alerta: ''Pegaram uma informação direcionada a determinadas circunstâncias esportivas e estão extravasando para a população em geral. Comenta-se sobre a baixa de ácido sódico no sangue provocada pela ingestão de água, mas essa é uma condição que alguns atletas enfrentam durante uma atividade prolongada de muitas horas ou até de muitos dias. Por isso, a pessoa pode, e deve, ingerir de 2 até 3 litros de água por dia, sem prejuízo para a saúde''.
Calor x Fome - As mudanças fisiológicas com a chegada do verão devem ser ajustadas a uma alimentação especial. Devido à diminuição do metabolismo basal (a energia mínima gasta para manter funções vitais, como respiração, circulação, temperatura corporal e atividade glandular) em relação às necessidades do inverno, a quantidade calórica ingerida também deve ser reduzida.
Cibele reitera que o controle da dieta é menos complicado durante a estação. ''É mais fácil a pessoa se contentar com alimentos refrescantes, como as saladas, as frutas e os sucos, que são mais saudáveis e com calorias mais baixas. Mas deve-se ficar atento às chamadas 'pegadinhas' dos sorvetes em massa e comidas que têm gordura em uma forma escondida.'' Casos, por exemplo, dos queijos amarelos, amendoins, salgadinhos em pacote, pastéis, patês e maioneses.
A professora Jocelem Salgado sugere, por sua vez, a opção por alimentos ''inteligentes''. ''É aconselhável substituir o pastel frito pelo assado; o sorvete em massa - que contém gordura - pelo picolé de fruta; o chocolate pela barrinha de cereais e a maionese, por molhos à base de iogurte.''
Pesquisadora que se dedica ao estudo de alimentos funcionais, Jocelem frisa que o efeito inibidor da fome pelo calor pode agir negativamente caso o indivíduo se mantenha em jejum. A melhor forma de contornar o problema, segundo ela, é abusar de alimentos de fácil digestão como verduras, frutas, legumes e carnes magras.
SERVIÇO
Jocelem Salgado (www.jocelemsalgado.com.br)
Cibele Crispim (www.rgnutri.com.br)


