Dizer que a história da imprensa escrita em Londrina coincide com a da própria cidade vai muito além de uma questão temporal. Da comercialização dos primeiros lotes de terra à criação da universidade estadual, os jornais locais não apenas veicularam os fatos como tiveram participação ativa neles, ora em nome de conquistas coletivas, ora representando os interesses de grupos específicos. Dentre as dezenas de periódicos surgidos nas primeiras décadas do município somente a Folha sobreviveu, completando ontem 56 anos de existência. A imprensa londrinense, contudo, tem seu início antes daquele 13 de novembro de 1948, quando o catarinense João Milanez criou este jornal.
Segundo os registros oficiais, Londrina teve seu primeiro periódico dois meses antes de sua emancipação. Criado em outubro de 1934, o ''Paraná Norte'' teve como diretor e repórter Humberto Puiggari Coutinho, que depois de atuar em outros estados brasileiros acabou se tornando o primeiro jornalista de Londrina.
''O Paraná-Norte tinha a finalidade de divulgar a atividade da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), fazendo propaganda da companhia e defendendo seus pontos de vista'', explica o jornalista Widson Schwartz, que coleciona inúmeras reportagens sobre fatos e personagens da história londrinense. Após mudar de mãos algumas vezes e prestar sucessivos apoios a políticos locais e estaduais, o periódico foi fechado em 1947.
De acordo com o jornalista Walmor Macarini, ainda na década de 30 o ''Paraná-Norte'' foi sucedido pelos jornais ''O Cometa'' (1935), ''Folha do Sul'' (1941), ''O Povo'' (1941) e ''Gazeta de Londrina'' (1944), este último criado por Puiggari Coutinho. Só em 1946 a imprensa ganhou seu primeiro jornal diário, em detrimento dos chamados ''devezenquandários'': o ''Correio do Norte''.
Dois anos depois foi lançada a Folha de Londrina, pelas mãos de João Milanez e do advogado Correia Neto. A princípio modesto, o jornal só se tornaria diário em 1952. É consenso que os esforços de Milanez foram responsáveis pelo crescimento e sobrevivência da Folha ao longo dos anos: longe de dirigir o jornal de dentro da redação, o catarinense viajava por todo o Estado vendendo assinaturas de porta em porta, além de participar pessoalmente da distribuição das edições. Mesmo com as dificuldades financeiras, Milanez fez questão de acompanhar a modernização do maquinário de imprensa, colocando a Folha entre os primeiros jornais do País a adquirir certos equipamentos.
Inúmeros periódicos foram criados na sequência, entre jornais e revistas. Havia linhas editoriais para todos os gostos críticos, conservadores, polêmicos, bem humorados e muitos não chegavam a durar um ano ou sequer passavam das primeiras edições. Para a professora de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Leange Severo Alves, a vida curta desses jornais tinha outra razão além das dificuldades financeiras. ''Muitos surgiam só em épocas em que havia um determinado interesse, político por exemplo. Cessado o interesse, eles desapareciam. Uma vez contabilizei uns 60 jornais criados aqui'', assinala.
Mesmo também tendo durado pouco, ''O Panorama'' foi um dos jornais mais marcantes da história de Londrina. Criado por Paulo Pimentel em 1975 e dirigido pelo jornalista Délio César, o jornal reuniu profissionais com visibilidade nacional.
''O (João) Milanez chegou a dizer, em entrevista à Gazeta Mercantil, que a cidade não comportava dois jornais e que a Folha já se preparava para absorver o pessoal do Panorama dali um ano. E o interessante é que o Leonardo (dos Santos) saiu da Folha para trabalhar lá e ainda voltou a tempo de escrever a causa mortis do 'Panorama''', conta Schwartz. O jornal encerrou as atividades depois de sete meses. Na área audiovisual, a cidade conta ainda hoje com 18 estações de radiodifusão e quatro estações de tevê aberta.

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