No ritmo da saúde
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Kalinka Amorim<BR>Reportagem Local 
A população idosa brasileira atualmente ocupa a 16ªposição mundial. Para 2025, a perspectiva é que ocupemos a 6ªposição. Provavelmente teremos um aumento nos casos de doenças degenerativas como parkinson, alzheimer e uma infinidade de comorbidades que afetarão de forma significativa a qualidade de vida dos idosos, afirma a fisioterapeuta Suhaila Smaili Santos.
Pensando nisso, ela passou a orientar e coordenar as alunas Etienne Duim e Patrícia Pelisson Tonon, do 4º ano de fisioterapia da Unifil, no projeto de pesquisa Efetividade da fisioterapia associada à dança em mulheres com histórico de quedas. O projeto, de caráter extensionista, segue até o mês de dezembro e visa a melhoria de qualidade de vida dessas idosas que já passaram por quedas. Tudo começou quando Etienne, que também é bailarina, teve a ideia de unir a dança com os exercícios da fisioterapia. A colega Patrícia topou e elas começaram.
Pensamos em trabalhar essa proposta terapêutica com as idosas que tinham histórico de quedas. Não levamos em conta só o risco delas caírem, mas queríamos estudar o que a dança poderia proporcionar à elas, que já tinham levado alguns tombos antes de começarem a terapia, explica.
Esses tombos, segundo Etienne, acabaram traumatizando as idosas e a dança, pelos movimentos soltos que permite, ajuda-as a ficarem mais soltas e até mesmo a esquecer o medo que elas passaram a ter após os acidentes. Na dança é possível trabalhar de maneira mais lúdica. Elas fazem exercícios, movimentos que não fariam com a fisioterapia tradicional sem ao menos perceberem porque o foco de atenção deixa de ser a queda e torna-se a música. Elas conseguem ultrapassar seus limites, ganham equilíbrio e desenvolvem habilidades cognitivas e motoras que, sem a dança, não seriam possíveis, exclarece a aluna.
Para Suhaila, os traumas das quedas são superados com a dança porque são trabalhados em conjunto. As experiências em comum quando compartilhadas com outras pacientes permite que cada uma delas saiba que o medo pode ser ultrapassado, que ele é só mais uma barreira a ser transposta perto de tantos outros obstáculos que elas já venceram. Elas perdem o medo de andar, tomar banho e voltam a ter uma vida normal com qualidade, enfatiza.
Divertimento Terapêutico
Além de melhorar o equílibrio e o comportamento motor, a dança, segundo Suhaila, também mexe com a emoção dessas mulheres. Ao dançar elas acabam relembrando momentos que já tiveram no passado. Aproveitamos a terapia para a integração dos sistemas sensorial e cognitivo. E os desfechos desse conjunto proporcionam além do equilíbrio, qualidade de vida, flexibilidade, coordenação, capacidade aeróbica, fortalecimento de novas sinapses, condições de reorganizar fatos, diz. Todos esses benefícios são possíveis porque o tratamento é feito em grupo, trazendo prazer e divertimento a elas, completa.


