Que o Brasil vive uma crise econômica sem precedentes, ninguém duvida. Um dos setores mais afetados pela retração na economia do País é o mercado da construção civil. Demissões, baixa nas vendas, freio em novos projetos. Em meio a este cenário, construtoras que atuam em Londrina vêm adotando diferentes estratégias para garantir o fechamento de caixa no azul. Algumas já tiraram da programação lançamentos, enquanto outras apostam em uma gestão mais conservadora.

"No momento, estamos colocando no mercado somente o estoque de apartamentos prontos e em produção, que é pequeno. Estamos aguardando uma definição melhor da situação para novos lançamentos", comenta o diretor geral da construtora Quadra, Luiz Carlos Moro Pires. Ele reforça que o momento é de cautela, embora a procura pelos produtos oferecidos na região não tenha sofrido baixas. "O que ocorre é que os compradores estão demorando mais para decidir a compra, devido à insegurança política e outros fatores, como medo da perda de emprego e alta taxa de juros", assinala.

Em 38 anos de atuação na área, Pires diz que esta é a maior crise do setor na última década. Para ele, o que está ajudando o setor a não entrar no vermelho em Londrina é a influência do agronegócio. Se o quadro fosse essencialmente industrial, a realidade poderia ser mais dura. "Percebemos que a crise é mais política do que econômica. Ninguém vai deixar de plantar, de produzir. Por isso, nossa economia, de certa forma, continua a fluir", pontua.

OPORTUNIDADE
O diretor de incorporação do Grupo A.Yoshii, Sílvio Muraguchi, também recorda que a construtora já passou por diversos cenários econômicos ao longo de 50 anos de fundação. "Continuamos com a receita de aliar qualidade e alto padrão de confiabilidade para passar credibilidade aos nossos clientes. Todos já ouviram falar que o ideograma chinês em que aparece a palavra crise também pode ser lido como oportunidade. Hoje, temos as melhores oportunidades para fazer bons negócios", analisa.

Segundo Muraguchi, o crescimento da A.Yoshii procura ser sustentável, independentemente de crise. "Sempre que pensamos em expandir para outros mercados, analisamos se temos recursos humanos para gerir a nova unidade. Também analisamos se temos pessoal para execução da obra com qualidade e dentro do prazo. Não temos a pretensão de crescer sem essas premissas", defende.

Ricardo Kitamura, gerente regional da construtora Thá, também afirma que a empresa acredita no potencial do mercado de Londrina e que os reflexos da crise econômica serão passageiros. "Não temos mais tantos investidores no mercado, mas as pessoas continuam comprando, sejam aquelas que estão casando ou mudando para o filho estudar na região", explica. O que mudou, compara, é que agora os vendedores precisam trabalhar mais para convencer os clientes a fecharem negócio. "Esse tempo de resposta é que está mais longo", reforça. Mesmo assim, a empresa continua apostando no segmento. "Temos projeto viabilizado para lançar ano que vem e outros quatro lançamentos, todos já em construção", pontua.

CAUTELA
Uma visão mais conservadora é a aposta da Plaenge. "Trabalhamos com uma velocidade de lançamentos dentro do que entendemos como adequado. Tentamos não correr riscos excessivos, manter fluxo de caixa e preservar equipes maduras, que tenham aderência aos valores da empresa", relata o gerente geral da construtora, Olavo Batista. Até quem compra da Plaenge, argumenta, busca segurança e preservação do patrimônio financeiro.

Conforme o gerente, a tendência, por enquanto, é a ter mais entregas de projetos iniciados no passado. "Tentamos entender o termômetro do mercado. Trabalhamos há muitos anos no Chile, que é um país com economia mais robusta que a nossa hoje. Por isso, quando se faz uma análise global, sentimos uma oscilação menor nos negócios porque continuamos investindo lá", pontua.

Batista, apesar disso, não prevê um fechamento de ano favorável ao setor no Brasil. "Acredito que a economia sofra mais ajustes com cortes do governo e que isso contribua para diminuir os investimentos em infraestrutura que deveriam ser feitos pelo poder público. Isso vai acabar onerado o capital privado", observa o gerente, ao se lembrar de intervenções que o construtor precisa fazer em áreas onde ainda não há melhorias, como asfalto, por exemplo.

Imagem ilustrativa da imagem No ritmo da crise
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