No primário, usávamos avental xadrez com babadinhos, conta fisioterapeuta
Era década de 70. A cidade já não trazia mais a visão de sertão, de terra e mato. A fisioterapeuta Isabel Cristina Vicente de Rezende, 43 anos, estudou no colégio naquela época e lembra que foram diversos os momentos de alegria e de muito aprendizado. ''Naquela época ainda era possível ir e voltar sozinha de casa até o colégio e vice-versa, embora fosse um luxo chegar com o pai e ainda melhor com a mãe dirigindo um Fusca ou um Gordini'', lembra.
Isabel estudou no Colégio Mãe de Deus por 11 anos. Hoje, bem-sucedida profissionalmente, a fisioterapeuta salienta que seu aprendizado com as irmãs foi de extrema importância para sua vida. ''Não mudaria nada que vivi. A mim só basta agradecer todas as pessoas que construíram e continuam a fazer este ícone que é o colégio a se desenvolver'', diz.
Para Isabel, aprender sobre a filosofia do padre José Kentenich, foi um dos fatores principais para sua formação. Ainda hoje ela se lembra de detalhes que marcaram sua infância, assim como os uniformes, as brincadeiras e as aulas da época. ''No primário, usávamos um lindo avental xadrez com babadinhos a sua volta que protegia a tão sonhada saia que as nossas mães faziam''.
Segundo a ex-aluna, a hora do recreio era uma festa só. A turma se reunia para pular elástico, brincar com bat-bag até que os braços ficassem roxos. ''Só quando estava para tocar o sino que lembrávamos de comer. Usávamos lancheiras, mas o gostoso mesmo era comprar sodinha ou aqueles sucos coloridos que vinham em saquinho, acho que se chamava Saci, que era uma delícia'', lembra.
Entre uma rodinha e outra, as meninas falavam sobre os assuntos da época, copa do mundo, novelas, tevê a cores e o homem na Lua. ''Nossos mestres já nos faziam relacionar os fatos contemporâneos nas atividades escolares'', comenta. Os eventos esportivos também era outra atração para as crianças da época e paralelo às atividades curriculares o colégio oferecia oficinas de pintura em porcelana, aulas de culinária, educação artística, entre outras.
''Organizamos um grupo de aprofundamento da pedagogia de Schoenstatt, com encontros semanais para aprendermos mais sobre o padre José Kentenich e sua filosofia, que para mim fechou com chave de ouro minha formação. Ser um ser humano integral, essa foi e é a meta que norteia minha vida pessoal e profissional, graças ao Mãe de Deus'', finaliza. (F.B.)
Quatro das 12 irmãs de Maria que vieram da Alemanha para o Brasil em 1935 se estabeleceram em Londrina; irmã Norberta Schulte (sentada), irmã Calixta Hermann, irmã Almut Weingaertner e irmã Mariaregis Kessler (em pé, da esquerda para a direita, e sinalizadas com círculo)





