'No Paraná, candidatos partiram para o ataque'
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sábado, 04 de outubro de 2014
Edson Ferreira Reportagem Local 
Os três meses da campanha política no Paraná trouxeram à luz dos debates mais acusações entre os candidatos ao governo estadual do que propostas. A opinião é do professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Clodomiro Bannwart. "Esse jogo de desconstrução do adversário foi muito pesado", afirmou. O período da propaganda na tevê teve os confrontos mais intensos entre os três principais candidatos Beto Richa (PSDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB).
"Esse aspecto, o da desconstrução dos adversários, demonstra a fragilidade de nossa democracia, pois aqueles candidatos que tenham conquistado boa recepção por parte do eleitorado podem chegar ao final do pleito derrotados em razão de discursos sem lastro com a verdade", observou o professor.
Logo no início da disputa, as primeiras pesquisas registravam a polarização entre Beto e Requião, em empate técnico, e Gleisi aparecendo em terceiro lugar. Embora as posições tenham permanecido as mesmas durante a campanha, conforme apontaram as pesquisas, houve crescimento no percentual do candidato à reeleição. "Isso, de certa forma, intensificou a artilharia. Gleisi se dedicou inicialmente a angariar a confiança do eleitor, ficando entre os dois primeiros a briga maior", comentou Bannwart.
De acordo com o professor, mesmo com a divisão do PMDB, onde a ala dissidente insistiu até os últimos minutos da convenção para evitar a candidatura de Requião, foi a candidata do PT que teve maior prejuízo na largada da campanha. "Gleisi já começou tendo que explicar sobre as investigações envolvendo o (deputado federal) André Vargas, que estava na articulação da campanha no Estado."
Em segundo lugar na disputa, o senador peemedebista esbarrou na falta de mobilização da própria sigla e "assumiu a carga da artilharia sozinho". "Geralmente essa parte fica para terceiros durante a campanha, enquanto que ao candidato fica o papel de pedir os votos."
Nanicos
Aos cinco candidatos considerados nanicos na disputa estadual Bernardo Pilotto (Psol), Geonísio Marinho (PRTB), Ogier Buchi (PRP), Rodrigo Tomazini (PSTU) e Tulio Bandeira (PTC) também sobraram espaços para o ataque. "Os candidatos menores, especialmente de esquerda, têm uma atuação importante, porque colocam alguns questionamentos que quem está na frente não vai colocar", lembrou Bannwart, "mas o discurso, muitos vezes, está desconectado da realidade".
Se houver segundo turno, a propaganda poderá começar a partir das 17 horas de amanhã e se estenderá até o dia 26.


