Eles têm pouco mais de 20 anos, são londrinenses e, detentores de estatura e predicados que os habilitam às passarelas e editoriais, partiram para a Ásia. O que os levou para o outro lado do mundo? A carreira de modelo.
Prestes a encarar mais uma temporada na Ásia, André Zuan, de 21 anos, relembra como foi ''parar'' em domínios tão diferentes. ''Um amigo próximo, modelo também, me passou o contato de uma agência de Porto Alegre. Conversei, mandei meu material e eles negociaram com as agências internacionais'', relembra.
Para o rapaz de 1,86 metro de altura, a estada de quatro meses na Ásia foi das mais proveitosas.''Passei pela Coréia do Sul e por Hong Kong (China) e o período foi maravilhoso. Não tinha uma expectativa muito grande. Se trabalhava muito, estava feliz por ganhar dinheiro. Se trabalhava pouco, sobrava tempo para passear e conhecer outros lugares''.
Em relação ao idioma, o londrinense, que trancou a faculdade de Direito meses antes, para viagem a trabalho ao México, passou por maus bocados. ''Na Coréia do Sul era um pouco difícil, porque não há quase nada em inglês. Não sabia o nome das ruas, falava com as pessoas por mímica, a não ser com o pessoal da agência, que falava inglês e levava os modelos para os locais de trabalho. Já em Hong Kong, todos falavam inglês. Era mais fácil, pois íamos sozinhos para os castings (seleção) e trabalhos''.
Nas questões relativas à alimentação, como um ''expert'' na cozinha, André ''se virava''. ''Dificilmente comia fora de casa, sempre gostei de cozinhar. De modo geral, a alimentação era mais cara, principalmente a carne vermelha'', recorda.
Nos países regidos por uma culinária tão peculiar, o modelo londrinense conseguiu, com suas receitas, engordar sete quilos. ''Ganhei esse peso para me adequar às exigências de mercado. Na Coréia, por exemplo, era muito magro para os padrões e não trabalharia bem se mantivesse o corpo como estava'', explica.
No traço comparativo com o mercado nacional, André desfia elogios. ''O respeito por horários e a consideração com os modelos me deixaram realmente feliz. Qualquer modelo é tratado como estrela na Ásia, ao contrário do Brasil, onde, a não ser os tops, os modelos não têm valor algum''.
Outra grande diferença, de acordo com o modelo londrinense, refere-se ao assédio. ''Em nenhum momento sofri ou soube do assédio de produtores e fotógrafos com propostas do tipo: 'Quer esse trabalho? Saia comigo'. Claro que deve haver isso, mas com uma frequência bem menor do que em São Paulo''.
Diante de tantas adaptações, André ainda fez um pé-de-meia. ''Fui contemplado com bons trabalhos, considero-me privilegiado''.
Saudades de lá e de cá - Mulherão de 1,80 metro, Daiane Rossi, de 20 anos, foi outra londrinense a bater cartão em domínios asiáticos. ''Um casal de olheiros, proprietário de uma agência, em São Paulo, veio a Londrina em busca de new faces (novos rostos) e fui convidada''.
O período, de apenas um mês, foi intenso. ''Como sou alta, fazia tanto editorais quanto passarela'', rememora Daiane, que contabiliza seu trabalho para a gigante dos cosméticos L'Oréal como seu principal momento por lá.
A exemplo dos demais entrevistados, do outro lado do globo Daiane viu sua silhueta aumentar. ''Como não sou fã de saladas, comia só coisas gordurosas. Resultado: ganhei uns quilinhos, ainda mais porque, antes da Ásia, na Europa, já não conseguia me controlar com os doces'', comenta.
De volta a Londrina, Daiane sente saudades da Ásia. Mas não pensa em voltar. ''Pretendo continuar minha faculdade de enfermagem e modelar por aqui mesmo. Senti falta da comida brasileira, da minha casa, da minha família e amigos. Conheço meninas que ficaram bem ao continuar lá. Acredito que, se continuasse modelando, ficaria rica. Mas nada como ter a família e os amigos por perto, te dando força'', conclui.

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