No mar, precaução nunca é demais
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Matinhos - No litoral, ser um exímio nadador nem sempre é sinônimo de segurança. O mar tem algumas peculiaridades, que podem se tornar armadilhas para banhistas desavisados, e esconde alguns perigos, que podem trazer surpresas desagradáveis para quem está apenas querendo aproveitar ao máximo as férias de verão. Nos primeiros 30 dias da Operação Viva o Verão, o Corpo de Bombeiros registrou mais de 830 salvamentos. Comparado à temporada passada, o número aumentou quase 60%. Cinco pessoas morreram vítimas de afogamento nesse período. O tempo bom levou mais pessoas para o litoral, o que pode explicar o aumento.
A estimativa do Corpo de Bombeiros é que 70% dos salvamentos aconteçam entre o público masculino e jovem, com idade até 18 anos. O excesso de confiança talvez seja o ingrediente que mais contribua com essa estatística, além do descuido dos pais ou responsáveis, no caso das crianças. ''Até os 12 anos, a criança não deveria estar no mar sem a supervisão de adultos, mas isso acontece com frequência'', advertiu o tenente do Corpo de Bombeiros, Eduardo Slomp Aguiar.
Durante a entrevista, nas areias de Caiobá, em Matinhos, Aguiar não tirou os olhos da água. Não demorou muito para o tenente interromper a conversa e se aproximar de duas veranistas que estavam acompanhadas de uma criança. A pequena Vitória Sereia Zambrin, 11 anos, boiava em cima de uma prancha e em um momento de descuido, as correntes do mar poderiam arrastá-la para longe da praia. ''A gente não sabia, mas ele veio nos alertar de que ali onde ela estava tem buraco e com a maré enchendo não daria pé, caso ela resolvesse descer da prancha'', disse a enfermeira Fabiana Figueiró Moreno, 25, que junto da tia cuidava de Vitória.
Segundo Aguiar, essa é uma das situações mais comuns de salvamento de crianças no mar: quando estão com ''material flutuante'' - como bóias e pranchas - e se afastam involuntariamente da praia, levadas pela correnteza. ''Por isso, não cansamos de repetir que o melhor guarda-vidas das crianças são os pais'', destacou o bombeiro.
Mais riscos
Outro risco no mar são os bancos de areia. Aguiar explicou que os banhistas passam a arrebentação e encontram locais onde ainda dá pé, quando a maré está baixa. O problema é a dificuldade de voltar ao raso, quando a maré começa a encher, pois, normalmente, há buracos entre os bancos de areia e a parte rasa e é o local onde as ondas arrebentam, o que torna a saída do mar ainda mais complicada.
Usar as pedras como trampolim é outra situação de risco a que, frequentemente, os veranistas se expõem. Na Praia Mansa, em Caiobá, os acidentes mais comuns, contou Aguiar, são os afogamentos com lesão na coluna cervical. O banhista salta da pedra no mar e pode bater a cabeça em outra pedra ou banco de areia, o que pode resultar em uma lesão com sequelas graves como paralisia. ''São dois ou três casos toda temporada, apesar dos alertas de perigo'', observou Aguiar.


