No embalo da construção civil
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
A movimentação recorde da construção civil nos últimos dois anos no País está refletindo diretamente no varejo e ampliando as oportunidades de negócios em diversos segmentos. Lojas de materiais de construção, móveis, decoração, ambientes externos de lazer, prestadores de serviços. Todos estão com os mercados extremamente aquecidos devido a alta disponibilidade do crédito imobiliário. De acordo com o Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon Norte-PR), os financiamentos em 2011 - entre Caixa Econômica Federal e outros agentes financeiros diversos - já ultrapassaram a ordem dos R$ 1,3 bilhão na região norte do Estado, sendo que cerca de 75% deste volume foi utilizado em Londrina. No País, segundo o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), foram financiados no primeiro semestre deste ano 236,5 mil imóveis, algo em torno de R$ 37 bilhões.
Gerson Guariente, presidente do Sinduscon Norte-PR, explica que esta disponibilidade de crédito veio crescendo até este ano. Ele explica que a expectativa é de que a liberação de crédito deve fechar 6% maior em comparação a 2010. ''Até metade do ano, houve uma elevação em 10% dos projetos (de novos imóveis) aprovados na prefeitura. Só em Londrina, temos mais de 200 construtoras trabalhando em todos os pontos da cidade'', salienta.
Segundo o representante da entidade, as primeiras empresas que sentem um aumento nas vendas são as de móveis prontos e planejados. Na sequência estão as lojas de eletrodomésticos, decoração e prestadores de serviços de modo geral, como os arquitetos. ''Os depósitos de materiais de construção, por exemplo, entram em ação quase que imediatamente com a compra do imóvel. São pessoas que logo que entram na casa nova, quando têm uma primeira folga financeira, querem aumentar um cômodo, trocar o piso ou fazer uma varanda com churrasqueira''. A estimativa de mercado é que, em média, o consumidor gaste 20% do valor do imóvel em reformas e melhorias. ''Tem gente que chega a dobrar o tamanho da casa'', completa Guariente.
Adriano Montanari, presidente da Federação das Associações dos Comerciantes de Materiais de Construção do Estado do Paraná (Fecomac), diz que no ano passado o setor movimentou por volta de R$ 2,25 bilhões no Estado. Em todo o Brasil, foram mais de R$ 45 bilhões. ''Fechamos 2010 com crescimento recorde: 10% frente a 2009. Nossa expectativa para este ano é terminar com uma ascensão de 8%, mas se ficarmos entre 5% e 6% estamos satisfeitos. Isso porque os estados da região Sul do País estão crescendo menos do que os do Nordeste'', compara Montanari.
O presidente da Fecomac relembra uma pesquisa feita em 2008 pelo setor, que apontou que 70% dos entrevistados gostaria que sua casa passasse por uma reforma nos próximos anos. Só na região de Londrina, são mais de 400 lojas de materiais de construção trabalhando. ''Quando abre algum novo loteamento, sempre vai uma loja de construção junto. Todo esta movimentação do varejo é justificada pela moeda estável, o aumento de crédito e a recuperação salarial, que acabam incrementando automaticamente o consumo''.


