FOLHA DE LONDRINA: O senhor tem uma carreira de sucesso na academia. Por que largar isso para investir em uma carreira política?
REITOR MOREIRA: Está na hora dos homens de bem entrarem na política. Estou cansado de ir em lugares onde as pessoas só criticam os políticos. Eu digo: ''Então por que é que vocês não entram no jogo?''. É claro que nada é de repente na vida da gente. Não cheguei a reitor de repente. Nem a candidato a prefeito. Foi uma caminhada. Fui diretor do HC (Hospital de Clínicas). Fui candidato a reitor, ganhei duas eleições e fizemos coisas pra caramba. Na minha gestão como reitor sempre tinha novidade. Saí e já começou a ter rolo. Já tá meio virado aquilo lá.

FOLHA: O senhor acha que partir direto para a prefeitura é o caminho natural? Nunca pensou em passar pela Câmara Municipal, pela Assembléia Legislativa?
MOREIRA: Pensei em ser candidato a deputado. Quando terminei meu primeiro mandato (de reitor) não queria concorrer ao segundo. Queria ser candidato a deputado. Mas as coisas que estavam acontecendo na universidade não me permitiam largar o cargo. Se saísse não teria consolidado nem a Universidade do Litoral, nem as cotas. Então me obriguei a ficar mais tempo. Claro que não posso dizer que um convite do governador do Estado para ser candidato a prefeito não me deixa orgulhoso, mas também me enche de responsabilidade. Tudo que fiz na vida sempre me esmerei em fazer muito bem feito. Estou me propondo a ser candidato a prefeito. Eu me preparei com os melhores técnicos. Durante um ano tive reuniões todas as semanas com um grupo de 20 técnicos que me ajudaram a propor um plano de governo. Um plano tem que ter um bom diagnóstico e nós fizemos isso.

FOLHA: O senhor se identifica com as posturas ideológicas do governador?
MOREIRA: Ah sim, muito. Mas ele é ele, eu sou eu, vamos separar bem as coisas. Acho que ele é um homem público forjado na luta. Isso é uma coisa que deixa uma série de marcas e ao mesmo tempo dá para ele vantagens. Estou começando minha vida pública, embora tenha seis anos como reitor, e sei que não é fácil administrar o público.

FOLHA: O governador Requião não conseguiu eleger sucessores como o Lerner fez. O senhor acha que nessa eleição isso vai mudar?
MOREIRA: A teoria do caos existe para provar que sempre existe uma primeira vez para tudo.

FOLHA: Como o senhor analisa a questão do nepotismo?
MOREIRA: Existem dois tipos de nepotismo no meu modo de ver. Uma é você empregar parentes simplesmente por empregar parentes. Outro é você indicar algumas pessoas da sua absoluta confiança que têm competência para lhe ajudar a servir ao público. É preciso separar. Vou te dar um exemplo concreto: Maurício Requião é o irmão do governador. É o exemplo de uma pessoa muito boa que está ajudando o governador a servir ao público. Foi o melhor secretário de Educação que tivemos nos últimos 20 anos.

FOLHA: O senhor é a favor da criação de alguma legislação específica para fazer essa distinção?
MOREIRA: Claro, não pensei exatamente nisso, mas os legisladores têm que pensar.

FOLHA: Como é que o senhor acha que deve ser o relacionamento entre o governo do Estado e a prefeitura?
MOREIRA: Tem que ter parceria. Eu já fiz muitas parcerias. Com a prefeitura fizemos, através da Funpar (Fundação da UFPR), parceria com a Maternidade Victor do Amaral, os Postos de Saúde 24 horas. Sou criticado por ter feito com o governo do Estado, através da Funpar, a questão da TV Educativa, mas nunca recebi crítica por ter feito com a prefeitura a contratação dos médicos dos Postos 24 horas. São 120 e tinham que, no fundo no fundo, ter feito um concurso público. Mas não fizeram e contrataram pela Funpar. O homem público tem a obrigação de fazer isso. Não tem que ficar dizendo: ''não vou falar com o governador porque ele me trata mal''. Tem que bater na porta de quem quer que seja e dizer ''governador, estou vindo aqui por causa disso''. E se for possível, levar a imprensa junto.

(Continua na página 3)

mockup