A forte brisa que se forma com a queda das águas do Rio das Cinzas por um paredão de 10 metros de altura é mais que um refresco para o corpo nesses dias de intenso calor. Sem exageros, as gotículas de água que deixam o ar com extrema umidade e vão molhando, devagar, o corpo todo, aliadas ao som contínuo das águas, faz qualquer um esquecer os problemas do dia-a-dia.
Estamos falando do Salto Cavalcanti, que fica no município de Tomazina (101 Km ao Sul de Jacarezinho). Em meio a muito verde - de um lado do rio há um grande morro coberto por árvores, e do outro lado, por onde é feito o acesso, existe uma mata - o local é ideal para quem gosta de contato intenso com a natureza.
É o caso dos amigos Jackson Elias de Souza, 23 anos, tomazinense que mora há cinco anos em Jaguariaíva e Geovane Sebastião, 17, morador de Tomazina, que guiou a reportagem da FOLHA no passeio pela cidade. ''Esse lugar é bom demais. É só ter uma oportunidade que juntamos a turma e acampamos por aqui'', diz Geovane.
Pulando de pedra em pedra, Jackson era só alegria. Sem visitar o lugar desde que se mudou para Jaguariaíva, ele mostrava muita saudade do local em que passou bons momentos de sua adolescência. ''Esse salto é um dom da natureza. Perdi a conta de quantas vezes fiz churrasco com amigos aqui'', relembra Jackson, que é instrutor de rafting e canoagem e se declara um grande amante da natureza.
''Fico triste quando venho a um lugar lindo como esse e vejo lixo jogado. É preciso dizer às pessoas que venham para cá, o passeio vale a pena, mas, em hipótese alguma, o lixo deve ser deixado por aqui'', afirma.
O salto, que homenageia Carlos Cavalcanti de Albuquerque, presidente do Paraná entre 1912 e 1916, quando a queda d'água foi descoberta, ainda é pouco explorado turisticamente. Um bom espaço de grama, bem às margens do rio, favorece a montagem de acampamentos. Um quiosque com 15 metros quadrados de cobertura e churrasqueiras também facilita o preparo de lanches.
Porém, o turista pode sentir falta de banheiros e água encanada. Beber água do rio não é recomendável. Além disso, o Cinzas faz uma bifurcação logo após o salto, e uma pequena ilha com vegetação alta se forma, impossibilitando a visão de boa parte da cachoeira. A passarela de concreto que permitia atravessar uma parte do rio e chegar à ilha foi destruída após uma grande enchente, há três anos, e desde então não foi reconstruída.
''Quando chove, esse rio fica violento demais. Ninguém deve tentar nadar por aqui. A travessia do rio, onde existia a passarela, só deve ser feita a pé se o fluxo de água estiver muito baixo, com as pedras aparecendo quase por inteiro, do contrário é melhor não arriscar.
Além disso, vale lembrar que as pedras são muito lisas e uma queda pode ser perigoso'', alerta o instrutor de rafting e canoagem.
O chefe do departamento de Turismo e Meio Ambiente de Tomazina, Luiz Barros, disse que a infra-estrutura para o turista deve melhorar em breve. Segundo ele, a passarela do Salto Cavalcanti deve ser reconstruída antes do Carnaval. ''Infelizmente, as fortes chuvas dos últimos dias derrubaram algumas pontes em ribeirões que cortam as estradas rurais do município. Assim que terminarmos a reconstrução dessas pontes vamos para as obras no salto'', diz Barros.

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