Um passeio que põe abaixo muitos conceitos (e preconceitos) sobre os jipeiros e suas atividades – a começar pelo jipe. Quando me pediram para fazer um passeio de jipe para escrever esta reportagem, a primeira preocupação foi com a segurança. Leiga que sou, tinha imaginado aqueles jipes Willys, que são abertos ou cobertos com lona. Vislumbrei uma experiência de muita poeira, lama, velocidade e obstáculos perigosos. Qual não foi a minha surpresa ao me deparar então com um autêntico Troller T4, automóvel de alto padrão e grande conforto (direção hidráulica, ar condicionado, toca-CDs, entre outras regalias)?
  Outro fator que chamou a atenção logo de cara foi a presença de esposas, filhos e primos dos motoristas. Só então compreendi que aquilo seria um passeio familiar, e fiquei mais tranqüila.
  De fato, o passeio realizado na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, próxima a Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), foi bastante agradável, repleto de belas paisagens – e algumas trepidações decorrentes da sinuosidade da estrada. Tudo a uma velocidade moderada, que chegou a 2 Km/h no trecho mais difícil.
  É claro que o passeio também tem características de aventura. Poeira, lama e estradas de terra bastante esburacadas (em muitas delas, inclusive, é inevitável cair e difícil sair) também fazem parte do percurso. Por isso, ao contrário da maioria das pessoas, o jipeiro fica feliz quando o fim-de-semana é chuvoso, já que a lama dificulta ainda mais o percurso. Mas o bom tempo durante o nosso trajeto, se não propiciou tanta adrenalina, deu-nos belas paisagens para admirar.
  Segundo o casal João Henrique e Melissa Keila Kffuri, meus guias nessa expedição (que não só me acolheram no banco de trás de seu Troller como também me passaram todas as informações), o ponto alto para a maioria dos jipeiros é a travessia de rios. ‘‘Um Troller equipado com snorkel (acessório que auxilia na respiração do motor debaixo d’água) pode imergir a uma altura próxima de um metro e continuar funcionando sem problemas’’, explica João Henrique.
  Porém, todos esses obstáculos são apenas um pretexto para passar uma tarde de lazer com quem se gosta. ‘‘O passeio é uma forma de se promover a integração familiar através de uma aventura segura e confortável’’, define Marcos Rogério Fertonani, do Rally Clube de Londrina. Além de desbravar novas paisagens, os jipeiros também costumam acampar durante os passeios. ‘‘É uma atividade muito relaxante, a gente esquece de todos os problemas’’, afirma Melissa.
  Ecologia – Uma grande preocupação desse grupo é em relação ao meio-ambiente. Abrir e fechar porteiras dos locais por onde passam faz parte da rotina. Além disso, todos têm sempre à mão um saco plástico para não deixar nenhuma sujeira na natureza. ‘‘Tem jipeiros que chegam a andar quilômetros dentro de um rio, derrubando óleo, poluindo a água. Nós evitamos expor o meio-ambiente dessa forma, e nos comprometemos em manter o local limpo’’, ressalta Fertonani.
  A mistura de adrenalina com turismo ecológico e boa companhia – tudo com bastante segurança e conforto – faz do passeio de jipe uma atividade de lazer para todas as idades.

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