Nitidez e simplicidade
O autor da bandeira de Londrina, o imortal da Academia Brasileira de Letras, Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), era amigo do prefeito do Jubileu de Prata, Antonio Fernandes Sobrinho. Era um intelectual influente, um dos organizadores da célebre Semana de Arte Moderna de 1922 e naquele fim da década de 1950 se disse honrado pelo convite de desenhar o brasão e a bandeira do município. Poeta, advogado, jornalista, crítico de cinema, ensaísta e tradutor, o campineiro ainda tinha tempo para se dedicar à heráldica, a arte ligada aos brasões, aos escudos e às bandeiras.
Em carta enviada ao então prefeito seis meses antes da apresentação oficial do "presente" para os 25 anos de emancipação política, o intelectual apresentou e assim classificou sua obra em 26 de maio de 1959: "Este pavilhão é todo nitidez e simplicidade". A presença "estilizada" do Cruzeiro do Sul está relacionada à antiga bandeira paranaense, criada em 1892 e abolida em 1923.
Almeida faz uma curiosa comparação e, para exaltar sua criação, faz uma inusitada crítica à bandeira nacional. "Feitas para serem vistas no alto, de longe e flutuantes, as bandeiras têm que ser compreendidas de relance. Portanto, não devem conter detalhes imperceptíveis nem podem ter avesso", defendeu. "A inobservância destas duas condições é o grande erro da nossa bandeira nacional: cores complementares, que se confundem à distância, superabundância de estrelas que se tornam invisíveis, e com inscrição e céu astronômico, a formar um absurdo avesso (
)". O autor da bandeira morreu dez anos após sua criação. (L.F.M.)






