As projeções feitas na década passada sobre a presença dos japoneses e seus descendentes no Brasil, que consideraram índice de crescimento populacional de 4% ao ano, resultaram em números superestimados e prejudicados por dois fatores: o fenômeno dos dekasseguis e o planejamento familiar que a vida moderna impõe, inclusive para os nipo-brasileiros.
O Brasil teria, de acordo com aquelas projeções, cerca de 2 milhões de habitantes de origem japonesa. Mas o diretor do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, com sede em São Paulo, Myao Susumu, informa que eles não passam de 1 milhão e 400 mil pessoas em todo o País. Cerca de 210 mil nipo-brasileiros estão trabalhando no Japão como dekasseguis.(.
Segundo Susumu, a capital paulista é o local de maior concentração dos nikkeys, como são chamados os japoneses e os brasileiros de descendência japonesa que moram no Brasil. São cerca de 350 mil espalhados pela cidade de São Paulo, que tem no Bairro da Liberdade a marca registrada da presença do imigrante nipônico.
Com seus portais coloridos simbolizando a cultura e a tradição japonesa, a Liberdade concentra em suas ruas comerciais restaurantes, lojas, pequeno comércio, livrarias, locais de lazer e de preservação cultural. O Centro de Estudos não dispõe de dados atualizados sobre o número de famílias nikkeys no bairro.
Outros municípios da região da Grande São Paulo, segundo Myao Susumu, concentram cerca de 200 mil nipo-brasileiros. O Paraná, informa o diretor-administrativo, reúne aproximadamente 10% da população nikkey brasileira. De acordo com o Centro de Estudos, estimativas sobre os demais estados não são possíveis na atualidade, devido ao fluxo de migração interna. Eles estariam distribuídos por praticamente todas as regiões, mas em pequenas concentrações que descaracterizam a existência de comunidades fortes e organizadas.
Mas, há 10 anos, durante as comemorações dos 80 anos da imigração japonesa no Brasil, a mesma entidade classificava o Rio de Janeiro como o terceiro Estado brasileiro com maior número de nikkeys (3% do total no País), Pará ficava em quarto lugar com 2%, Mato Grosso do Sul com pouco menos de 2% e Minas Gerais com menos de 1%.
GeraçõesSegundo Susumu Myao, a existência do japonês de primeira geração também decresce em número. Eles são em cerca de 90 mil pessoas. A maioria restante é formada por nikkeys da segunda, terceira, quarta e quinta gerações, com a predominância inclusive de mestiços principalmente nos grandes centros populacionais. Para efeito de classificação, o Centro de Estudos considera quem veio do Japão como sendo de primeira geração.
A entidade que pesquisa o nipo-brasileiro no Brasil informa ainda que, na economia, os nikkeys têm forte presença entre os profissionais liberais. Somente em São Paulo, com base em números mais recentes disponíveis no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 41% dos nipo-brasileiros têm formação universitária. No Paraná, os nikkeys participam da vida política inclusive com 15 ‘‘japoneses’’ - um dos quais imigrante - eleitos prefeitos de municípios paranaense - Curitiba, com Cássio Taniguchi, tem o primeiro de uma capital brasileira. (Leia nesta edição).
Os ‘‘japoneses’’, originais e descendentes, também ocupam vagas em outras prefeituras paranaenses, em câmaras de vereadores - são 47 vereadores no Estado - em salas de aula de instituições de ensino superior e em altos escalões de órgãos públicos, além de registrarem presença destacada no meio empresarial.DivulgaçãoSímboloPortal no Bairro da Liberdade, em São Paulo, simboliza a forte presença dos nipo-brasileiros
Walter Ogama

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