Nikkeis já estão na quinta geração
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de junho de 1997
Edmundo Inagaki 
Oitenta e nove anos depois da chegada do Kasato-Maru, o Brasil tornou-se a pátria de quase 2 milhões de japoneses e descendentes - os chamados nikkeis. A comunidade, que já registra o nascimento da quinta geração de nipo-brasileiros, tem um padrão sócio-econômico e cultural superior à média do País.
Apesar da falta de dados atualizados sobre os nikkeis brasileiros, que até a década de 50 ainda afluíram numa corrente imigratória considerável, sabe-se que sua pujança ultrapassa, e muito, o último censo feito pelo IBGE, em 1991. O único modo de compensar esse vácuo estatístico é consultar as publicações alusivas ao tema da imigração japonesa no Brasil.
O Levantamento da População de Japoneses e seus Descendentes Residentes no Brasil, elaborado pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros em 1987/88, quando se comemorou os 80 anos da primeira imigração, é o trabalho mais consistente e minucioso disponível até o momento. O livro O Imigrante Japonês: História de sua Vida no Brasil, de Tomoo Handa, também é fonte obrigatória de pesquisa, embora outras bibliografias, de circulação restrita, tenham contribuído neste mapeamento.
Mesmo com a defasagem de uma década, os números levantados pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros servem de base para nortear os rumos da imigração. O Estado de São Paulo sempre abrigou o maior contingente de cidadãos japoneses e descendentes. De acordo com a entidade, em 1988 eram 326 mil só na Capital paulista. Projetando um nível de crescimento populacional de 4% ao ano, a cidade teria hoje 480 mil nikkeis. Em todo o Estado, seriam 1,4 milhão de pessoas. No Brasil, essa soma chegaria a 2 milhões - o equivalente a 1,5% da população total do País.
Maioria em SPMas a opção por São Paulo tem seus motivos. Foi para as grandes fazendas de café do interior que a maioria absoluta dos primeiros imigrantes foi enviada, em 1908. Quatro décadas depois, o destino da maioria dos imigrantes ainda era o território paulista, onde o ouro verde era forte.
Atualmente, quase três quartos (72%) da comunidade nipo-brasileira vive em São Paulo. O restante está espalhado por todo o território nacional. Seus integrantes conquistaram o respeito e a simpatia das comunidades locais com um trabalho incansável, notabilizado pela utilização de técnicas até então desconhecidas, empenho, disciplina e muita determinação.
O Paraná é o segundo Estado brasileiro com mais nikkeis (8%), seguido pelo Rio de Janeiro (3%), Pará (2%), Mato Grosso do Sul (quase 2%) e Minas Gerais (pouco mais de 1%). Calcula-se que a comunidade nipo-brasileira no Paraná seja de 170 mil imigrantes e descendentes - cerca de 25 mil pessoas morando em Curitiba. Londrina e Maringá abrigam, cada localidade, um número estimado na faixa de 3.500 a 4.500 famílias.


