NEURÓBICA - Exercícios deixam o cérebro no pique
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de novembro de 2004
Mônica Paula<br>Agência Estado 
São Paulo- Viver mais e melhor tornou-se palavra de ordem nos tempos de hoje. Cuidados para isso não faltam, nunca foram tantos os recursos para manter corpo e mente saudáveis. Para o físico, existem mil e uma atividades. Já para o cérebro foi criada a neuróbica, ou aeróbica para os neurônios - um programa de exercícios cerebrais concebidos com base nas pesquisas da neurociência - conjunto de disciplinas que estudam a fundo os mecanismos de funcionamento do sistema nervoso. A neurociência revelou à humanidade que o cérebro, apesar do envelhecimento natural, pode manter sua extraordinária capacidade de crescer e mudar o padrão de suas conexões.
A partir deste fundamento, os americanos Lawrence Katz e Manning Rubin publicaram em 2000 o livro Mantenha seu Cérebro Vivo, em que descrevem o método que pode ser incorporado à rotina diária para desenvolver e sustentar a agilidade mental. Na obra, já disponível no Brasil, os autores descrevem os exercícios da neuróbica, elaborados para manter o cérebro em ação contínua ao proporcionar a criação de novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios. Desta forma, é possível tornar mais saudável o comandante do corpo durante toda a vida, especialmente a partir dos 40 anos.
Katz, neurobiólogo, e Rubin, publicitário, criaram um sistema que submete o cérebro a experiências fora da rotina, usando várias combinações dos sentidos - visão, olfato, tato, paladar e audição - além do sentido emocional. A técnica estimula ações cerebrais que desencadeiam a formação de novas conexões entre as diferentes áreas da massa cinzenta e leva as células nervosas a produzir os nutrientes naturais do órgão, as neurotrofinas. Os autores sintetizam em uma frase os benefícios da prática: A neuróbica não vai lhe devolver um cérebro de 20 anos, mas pode ajudá-lo a acessar o arquivo de memórias que um jovem desta idade não possui.
Uma mudança de hábitos para revigorar o cérebro é a proposta da neuróbica, explica o geriatra Luiz Freitag, de São Paulo. Para facilitar a compreensão, ele dá um exemplo: Se você tem o costume de acordar pela manhã e ir direto para o banheiro, que tal experimentar uma variação? Em um dia qualquer, levante e vá até a janela apreciar a vista, ensina. Esta quebra da rotina exigirá um esforço extra do cérebro para processar a nova informação. Os neurônios - estruturas similares a estrelas com pontas- começam então a se unir mais rapidamente, fenômeno conhecido como sinapse.
A junção dos neurônios é fundamental para retardar ao máximo a perda de cada um deles. Isolada, a célula nervosa morre, o que leva ao processo de degeneração do cérebro. A velocidade com que isto ocorre é determinada por fatores como idade, estímulos externos (aprendizado) e genética (predisposição a doenças como Mal de Alzheimer e Parkinson). Em 1997, dois pesquisadores dinamarqueses provaram com estudos que, dos 20 aos 90 anos, uma pessoa saudável perde 10% dos seus cerca de 20 bilhões de neurônios, que se formam nos seres humanos até os 2 anos de idade.
Freitag descreve a mnemônica (associação do que deve ser gravado na memória com dados já existentes nela) como o mais destacado exercício de neuróbica. E cita um exemplo. Para decorar um número de telefone - 3354-8860, escolhido aleatoriamente - veja as dicas: 33 era a idade de Cristo quando morreu; 54, o ano da morte do ex-presidente Getúlio Vargas; 88, a idade do avô ou da avó; e 60, o número de casa. Você vai relacionando o número a algum fato já existente na sua memória, resume.


