Nem todo curitibano é reservado
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Para alguns é exagero, para outros faz parte da cultura local. Há também quem defenda que depende de cada pessoa ou que seja apenas uma questão de tempo. O fato é que o curitibano não é considerado um povo dos mais comunicativos, nem mesmo com os vizinhos. Mas apesar da fama de reservados, alguns moradores da cidade reunidos em associações de bairro mostram que quando há um interesse comum a ser defendido, o rótulo é deixado de lado.
A Associação de Moradores e Amigos do São Lourenço, formada em 2000, é um exemplo. A união entre os vizinhos do Parque São Lourenço fez com que em cinco anos, de 1999 a 2005, a porcentagem de residências ligadas à rede de esgoto saltasse de 42% para 87%. ''Todos fizeram a ligação voluntariamente. Prova de que com a participação da comunidade é possível reverter um problema'', explica o presidente da Associação, César Paes Leme.
Ele estima que dos cerca de seis mil moradores do bairro, metade participe ativamente dos projetos. Além disso, a associação também já conta com a participação de bairros vizinhos nas ações de proteção ao meio ambiente e melhora da qualidade de vida. Hoje já são quatro mil colaboradores no total. ''Não adiantava esquecer dos problemas em volta. Se não fizermos esse trabalho lá em cima, nosso mundo aqui fica pior'', avalia Leme.
Os associados fazem parte de uma rede de monitoramento civil na região norte de Curitiba que cuida do bem estar da comunidade através de projetos ambientais como o Viva Belém. Um dos resultados mais comemorados foi a diminuição do despejo de poluentes do Rio Belém. ''No ano passado, pela primeira vez em sete anos a água começou a chegar em boas condições no parque'', conta o presidente da Associação.
No bairro Bacacheri, a Associação de Moradores do Conjunto Residencial Solar também surgiu da união dos vizinhos em prol de uma causa comum e acabou resultando em várias conquistas. Em 1993, a prefeitura levaria a leilão o terreno de uma área comum do conjunto residencial para saldar a dívida pelo atraso no pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). Graças à mobilização dos vizinhos, o leilão foi cancelado. ''As pessoas passaram a se reunir e continuam realizando quatro reuniões mensais até hoje'', conta o presidente da Associação, Luiz Tadeu Seidel Bernardina.
A comunidade unida também conquistou uma Unidade de Saúde para o bairro, inaugurada em 2000. ''Diziam que não precisava porque era uma região rica, que todo mundo tinha plano de saúde, e nós mostramos que não era assim'', afirma Luiz Tadeu. E em março será inaugurada no bairro a maior pista de skate pública de Curitiba, segundo o presidente da Associação.
Luiz Tadeu acredita que a necessidade de lutar por melhores condições de vida ajuda a unir as pessoas. ''Quanto mais carente a região, mais eles participam. Onde tem tudo em casa, traquilo, não movem uma palha'', avalia. Mas ele diz que é costume de quem é curitibano não se envolver. ''Presidente de associação dificilmente é curitibano. Não é por ruindade, é o hábito'', observa.


