Após o nascimento da filha Lara, hoje com um ano e quatro meses, a publicitária Halini Saad, 29, precisou logo retomar o trabalho. Para poder ter as mãos livres e ao mesmo tempo o bebê juntinho do corpo, ela achou a solução navegando na internet. Comprou um sling - acessório que virou febre entre as mamães - num site americano. Mas não qualquer sling. Um modelo que não existia no Brasil, com estampa colorida lembrando grafitagem. A praticidade do acessório estava aliada ao estilo da mamãe Halini.
A experiência pessoal motivou a publicitária deixar a profissão de lado para investir no ramo de acessórios infantis e para as mães. A proposta era confeccionar produtos modernos para estilos diferentes de mamães e famílias. Primeiro vieram os vários modelos de slings, depois babadores, lencinhos de boca, mantas, tapa-fraldas e ponchos. O azul-bebê e o rosa-bebê, referências de cores da confecção infantil, ficam bem distantes das estampas pouco convencionais usadas por Halini: caveirinhas, oncinha, vaquinha, listras, e outras em motivos florais, psicodélicos, punk e arte de rua.
"Foi uma lição que veio do dia-a-dia. Me perguntei como é que ninguém não tinha feito isso ainda. São detalhes, coisas simples, mas que as mães não tinham opção. As marcas não ouvem o consumidor", critica ela, que também é mãe de Marcelo, 5 anos. "Desde o começo foi um sucesso porque é uma novidade. Misturo tendência da moda e comportamento com cultura. O nosso segredo é ouvir as clientes, sempre. Passo boa parte do tempo dando suporte às mães, converso com elas no Orkut. Vendo para o Brasil inteiro, e não é porque é moderninho que precisa ser caro", disse Halini, acrescentando que o índice de "recompra" é muito grande.
E assim nasceu a Baby Cool, confecção que ela toca com o irmão e sócio, Fuad Saad, 34, há um ano e meio. Os produtos são vendidos pela loja virtual (babycool.com.br), em lojas de artigos infantis e também no atelier da dupla, no bairro de Santa Quitéria. O site tem um cadastro espontâneo de 1,5 mil pessoas. "Respeitamos a vida e o ritmo da criança, o conforto que ela precisa para brincar e ter liberdade de movimentos. Acho super legal os pais buscarem roupas para o filho com os quais se identifiquem, afinal, o bebê também é integrante da família que tem uma cara, um estilo", defende Halini.
Caveirinhas com aspecto meigo e olho de coração também estampam moletons de plush, nas cores preto, marrom e verde, da coleção infantil de inverno da loja Peek-a-Boo, no Shopping Mueller. Coroas, listras e babados e outras tendências da moda inverno, como influências do rock, também foram incorporadas às peças, feitas em tecidos de algodão, modelagem confortável e com traços delicados. "Vendo roupas da Trielo, que tem minha irmã como estilista da marca. São produtos para mães clássicas e modernas, antenadas com a moda e interessadas em oferecer roupas diferentes para os filhos", explica Bebel Rispoli Muffone, dona da Peek-a-Boo.
"Não é simplesmente pegar as cores e estampas da tendência e adaptar para a criança de qualquer jeito, vesti-la como um mini-adulto. É preciso fazer um estudo, comprar tecidos de alta qualidade. Há uma preocupação grande com os cortes. A costura da roupa infantil, por exemplo, é mais minuciosa do que a da roupa de adulto", detalha Bebel.

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