Nem que seja uma lasquinha...
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de abril de 2009
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Mal chega a metade do mês e a vendedora Marina Lemos, 25 anos, já se vê com orçamento apertado. Gastou todo salário comprando roupas e chocolate. "Sou compulsiva por tudo e gasto muito dinheiro com doces. Não me satisfaço só com um chocolate. Como três, quatro, uma barra inteira. Muitas vezes com refrigerante junto. Só paro quando sinto a barriga estufada", disse. "No final do mês, quando já acabou o meu dinheiro e todo o chocolate da casa, dou um jeito de comer o doce depois do almoço. Nem que seja um copo de leite com várias colheradas de achocolatado em pó. Sou uma chocólatra", assume Marina.
Todo ano, na Páscoa, Marina vive o "drama" de não saber se ainda tem idade para ganhar dos pais e dos avós os tradicionais ovos de chocolate. "Estou ficando velha e sei que as pessoas costumam presentear mais as crianças. Mas espero o ano todo para chegar essa época e comer mais chocolate. Não dá pra ficar sem. Já liguei para minha avó e também pedi para a minha mãe, elas me garantiram que vou ganhar chocolate", conta a garota, mostrando as unhas roídas. "Veja, sou superansiosa. Por isso como tanto doce", justica ela, que gosta de todo tipo de chocolate, exceto os que levam uvas passas.
"Faço uma compensação. Sou muito carente e estou solteira há dois anos. Não é fácil. Quando chega sexta-feira, então, ai meu Deus. Fico depressiva porque não tenho com quem sair. Daí me entupo de chocolate", reclama. "De quatro anos para cá engordei nove quilos. Percebo que prejudico minha saúde e meus pais também ficam preocupados. Dizem: Marina você vai engordar e ficar feia. Vou procurar uma psicóloga para me ajudar. Mas acho que minha cura é arrumar um namorado", brinca Marina, que já planeja gastar parte do salário comprando chocolate nas barraquinhas da feirinha da Páscoa na Praça Osório.
Situação totalmente inversa é compartilhada pela família do empresário Cláudio Iurk, 45 anos. Ele, a esposa e as duas filhas, Natasha, 9, e Nikita, 7, só consomem chocolate saudável e em pequenas porções. "Minha esposa pesquisou muito a alimentação ideal para nossas filhas e descobriu que o chocolate belga é realmente de qualidade, não leva açúcar nem gordura hidrogenada e saturada. Não existe nenhum chocolate nacional totalmente confiável para dar às crianças", afirma ele, contando que só encontra chocolate belga em casas especializadas e paga em média R$ 80,00 o quilo.
"Por ser sem açúcar e meio amargo, ele sacia logo, então comer cinco ou dez gramas do chocolate belga já nos deixa totalmente satisfeitos. Isso é ótimo", conta Cláudio. Segundo ele, a alimentação saudável e de melhor qualidade trouxe muitos benefícios para as filhas: fez com que elas não desenvolvessem alergias - as duas são alérgicas - e terem poucos problemas dentários e a pele "superlimpa". "Elas não são preguiçosas. Tem muita disposição para as atividades e bom-humor", destaca o pai orgulhoso, dizendo que as filhas influenciam os coleguinhas da escola a comerem lanches mais saudáveis.
"No começo é difícil, é preciso muita dedicação para fazer as crianças terem bons hábitos. Mas depois dos cinco, seis anos, elas ficam com o paladar educado e já sabem distinguir o bom do ruim. As minhas filhas não gostam de chocolate ao leite", garante. Para a Páscoa, a mãe das garotas embala frutas frescas e secas, além de castanhas e granola como ovos. "Fazemos brincadeiras para encontrarem os ovos escondidos em casa, como caça ao tesouro ou gincanas e jogos de pergunta e resposta. Acreditamos que é uma forma didática e educativa de presenteá-las", aposta Cláudio Iurk.
Um estudo divulgado pela Target Group Index - ferramenta do Ibope Mídia que afere os hábitos de consumo dos brasileiros -, apontou que 68% dos curitibanos ouvidos na pesquisa declararam ser consumidores assíduos de chocolate. Essa também é a média nacional levantada pelo estudo, que em 1999, era de 57%. Cerca de 72% das mulheres comem o doce regularmente. As cidades onde mais se consome chocolate é Salvador (75%), Fortaleza (72%), Brasília (71%) e Porto Alegre (70%). Já os cariocas (65%) são os que menos comem chocolate.


