Negros superam preconceito e assumem própria condição
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domingo, 21 de novembro de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O número de negros e pardos no Brasil aumentou nos últimos anos. Estes dados estão em pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para especialistas, no entanto, o crescimento pode ser consequência não apenas de um aumento real dos representantes dessas raças, mas de um maior número de pessoas declarando-se negras ou pardas.
Para o chefe da agência do IBGE em Londrina, Alfeu Celso Campiolo, os movimentos sobre a consciência negra podem ter contribuído para este resultado. Segundo ele, o recenseador pergunta a cor ao entrevistado nos censos e é obrigado a registrar a resposta. ''Acho que está diminuindo a resistência das pessoas em declararem-se negras'', avalia. Antes, conforme Campiolo, era mais comum o negro declarar-se pardo.
O preconceito racial é a principal causa para alguns representantes da raça negra não admitirem a própria cor nas pesquisas sobre a população brasileira. A professora Maria Nilza da Silva, 40 anos, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em questões raciais, disse que o aumento da consciência sobre a questão racial está proporcionando a mudança de atitude dos negros. ''O Brasil foi desmistificando a idéia de democracia racial. Hoje, ninguém diz que o preconceito não existe. Somente vendo a questão racial como um problema no País é que poderemos enfrentá-lo'', destaca.
O crescimento do número de negros que assumem a própria cor é, para Maria Nilza, um rompimento de barreiras. Ainda hoje, a raça enfrenta estigmas negativos, como o caráter preguiçoso e a dificuldade de aprendizado, cita ela, que estão sendo superados. ''Mas ainda muitos ainda dizem que são mulatos ou morenos, mas não negros'', ressalta.
As campanhas de conscientização e combate ao preconceito racial tiveram o ponto alto do ano ontem, Dia Nacional da Consciência Negra. Em todo o País, eventos como marchas e panfletagens marcaram o dia da morte de Zumbi dos Palmares, data histórica para o movimento negro.
Os dados do IBGE mostram que a proporção dos que declaram-se negros passou de 5,6% para 5,9% nos dois levantamentos mais recentes. O números de pardos também subiu: 39,6% para 40,5%. Em Londrina, a exemplo de cidades dos outros Estados da Região Sul, a população branca é predominante em relação às outras raças. Londrina tem hoje 480.822 habitantes. Os brancos são a grande maioria: 331.634. Na sequência, a cidade contabiliza 82.041 pardos, 16.068 amarelos, 15.171 negros, 1.155 índios e 996 sem denominação.


