São Paulo - O negócio de Lopes Castro tem concorrência até na internet. Ele evita comentar, mas não se sabe como, além de veneno, até animais vivos, do Brasil, são oferecidos. É o caso da jararaca ilhoa (nome científico Bothrops insularis), existente apenas na Ilha da Queimada Grande, próxima de Santos (SP), que somente é acessível com autorização da Marinha e do Ibama. A espécie sofreu uma mutação, alimentando-se de pássaros e apresentando veneno potente, enquanto as jararacas comuns normalmente comem roedores.
Ao conhecer o centro de criação de serpentes e extração de venenos, que não é aberto à visitação pública, é possível olhar os animais e ouvir o som dos seus guisos acionados diante da aproximação de alguém junto às suas caixas ou nas baias com razoável tranquilidade, transmitida por seus proprietários. ''Não há problema de convivência, desde que se respeite a serpente e que o observador mantenha os cuidados'', explica Lopes Castro.
Por um rápido descuido, sua filha, Alessandra, e o extrator Jairo Marques do Vale já foram picados uma vez. Tiveram de ser rapidamente removidos para o Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos líderes de uma rede de assistência estadual com pessoal habilitado em atender casos de picadas de serpentes.
O Ministério da Saúde considera que os acidentes mais comuns com picadas de veneno estão relacionados a animais como jararaca, cascavel, aranhas e escorpiões, mas o guiso pode salvar uma vítima potencial. Presente na cascavel, ele emite o som de um chocalho diante da ameaça de aproximação do homem, a vítima potencial.
Na opinião do diretor do Ceta, Getúlio Lopes Castro, o veneno da cascavel é o mais perigoso, pode levar à morte por atuar no sistema nervoso central, parando igualmente o coração. Porém, a incidência de seus ataques é menor, diante do alerta feito pelo barulho do guiso. ''A peçonha de jararaca é mais local, necrosante, causadora até de amputação de membros. O veneno de ambas as espécies pode matar'', ressalta. ''É preciso dar atendimento urgente a quem é picado, levando-o rapidamente a um hospital da rede de atendimento. Não é preciso levar o animal.''
O diretor do Ceta esclarece que é lenda dizer que uma jibóia comeria um homem. Há algumas jibóias lá. Elas não são venenosas. ''Mas morde que é uma beleza, pois seus dentes são voltados para trás. Ao morder, a pessoa reage em sentido contrário, provocando profundos ferimentos. (A.E.)

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