Negócio da China em Curitiba
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Poucos se prontificaram a falar com a equipe da FOLHA. Desconfiados, alegaram que a pouca prática com a Língua Portuguesa os impede de conversar. Apenas os chineses vindos de Moçambique (na África), mais habituados ao português, contaram suas histórias.
Talvez um detalhe já tenha chamado a atenção. Chineses de Moçambique? O fato pode ser explicado pela principal característica desse povo. A população chinesa tem um espírito empreendedor e aventureiro, afirma William Wing, 40 anos, que chegou ao Brasil com oito anos de idade e hoje é presidente da Associação Cultural Chinesa do Paraná (ACCPAR).
Há chineses em todos os países do mundo. Onde há possibilidade de comércio e acesso ao mercado, afirma o professor de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Márcio de Oliveira.
O professor conta que a chegada dos primeiros chineses no Brasil data da década de 1920. Porém, nesta época, as pessoas vindas da África e da Ásia não eram bem vindas. Eles sofriam restrições e só podiam entrar no país com autorização. O objetivo era conter a imigração asiática e o acesso era diferente dos alemães e portugueses, por exemplo, explica.
Nas décadas de 1960 e 1970 os imigrantes chineses fugiram da Revolução Comunista de Mao Tse Tung e das tropas militares da Frente de Libertação de Moçambique. Quando chegaram em Curitiba, em meados de 1970, começaram a trabalhar em pequenos comércios, principalmente na área de alimentos.
Além dos chineses de Moçambique, que foram os primeiros a chegar na Capital, vieram para o Brasil os imigrantes de Hong Kong e da China, este último em maior quantidade a partir da década de 1990, quando a criação do Real deixou as condições financeiras mais favoráveis no Brasil.
Hoje, de acordo com Wing, são duas mil pessoas que vivem em Curitiba e já estão na terceira geração. Suas presenças podem ser percebidas principalmente no Centro da cidade, onde trabalham em lanchonetes que vendem pastéis e salgados, que consideram mais fácil para trabalhar e sem um investimento inicial muito grande.


